A reunião mensal do Conselho Estadual de Saúde, realizada no dia 28 de agosto, revelou, mais uma vez, a alarmante situação da saúde pública no Paraná. Enquanto o secretário da Saúde, Beto Preto, viaja o Estado atrás de “palanques políticos” e o governador vende em suas redes sociais um Paraná de “céu de brigadeiro”, os indicadores comprovam a ineficiência atual gestão do Executivo.
Confira a seguir dez indicadores que confirmam a crise vivida pela saúde no Paraná:
1 Mortalidade materna acima da média nacional
Enquanto no Brasil a mortalidade materna vem caindo de 2022 pra cá, no Paraná o número de mulheres que vieram a óbito a cada 100 mil nascidos vivos subiu de 43,6 em 2022 para 60,9 em 2024. É o 9º pior índice entre os 27 estados.

* Dados apresentados pela Sesa na reunião mensal do Conselho Estadual de Saúde
2 Aumento da mortalidade infantil
Desde 2021 a mortalidade infantil no Paraná não parou de crescer. Enquanto no Brasil o índice tem apresentado uma leve queda (foi de 12,6 por 1000 nascidos vivos em 2022 para 12,5 em 2024), no Paraná o índice estava em 9,5 em 2021, subiu para 10,3 em 2022, foi para 10,8 em 2023 e chegou a 11 em 2024.

3 Metas de combate à hanseníase não são cumpridas
A Sesa não tem cumprido as metas estipuladas entre União, estados e municípios para que erradicação da hanseníase aconteça. Para uma pessoa que adquiriu hanseníase recentemente, por exemplo, a meta é examinar 90% dos contatos que ela teve para checar se houve transmissão. Na Sesa, em média, apenas 66% dos contatos são checados.

* Dados apresentados pela Diretoria de Atenção em Vigilância na reunião mensal do Conselho Estadual de Saúde
4 Cobertura da vacinação contra o sarampo em queda
A cobertura da vacina tríplice viral, responsável pela imunização do sarampo, caiu de 102% em 2024 para 93,4% em 2025.
* Dados apresentados pela Sesa na reunião mensal do Conselho Estadual de Saúde
5 Obras em hospitais paradas
Se na propaganda, governador e secretário de saúde dizem que o Paraná investe pesado em saúde, na prática o que vimos são obras atrasadas ou “inauguradas” antes mesmo da aquisição do terreno. Consta no relatório da Funeas, por exemplo, a construção de helipontos em vários hospitais, mas até agora nada, dificultando o atendimento de urgências.
6 Saúde mental mal gerida
Apesar da OMS – Organização Mundial da Saúde – precomizar que o Estado deve investir 5% do orçamento em saúde mental, no Paraná apenas 0,5% dos recursos vão para essa área e, para piorar, dos R$ 40 milhões destinados à Saúde mental, mais de R$ 15 milhões foram usados exclusivamente na compra de medicamentos psiquiátricos. Ou seja, o Estado distribui comprimidos sem garantir acompanhamento terapêutico e sem ampliar a rede de equipamentos em saúde mental.
7 Atenção primária prejudicada
Um acordo judicial obriga o Paraná a investir todos os anos 15% do montante destinado à recomposição do Fundo de Saúde em políticas de atenção primária. Até agosto, nem um centavo desses recursos foi para área.
8 Redução da folha de pagamento
Mesmo com o arrocho salarial vivido pelas servidoras e os servidores (50% no salário e 60% na gratificação), mesmo com a previsão de realização de concurso público, mesmo com previsão de aumento da arrecadação do Estado em 2026, a previsão é que a Sesa tenha uma folha de pagamento 6% menor que em 2025.

* Dado extraído da proposta orçamentária de 2026 enviada pela Sesa à Sefa
9 Aumento de emendas parlamentares sem fiscalização
Enquanto o Estado coleciona obras paradas, o dinheiro oriundo das emendas parlamentares tem se proliferado nos últimos anos. Foi de 5 milhões em 2023, 65 em 2024 e vai para 128 milhões em 2026. Recursos que não dispõem de transparência nem de controle social, um prato cheio para os conchavos políticos.

*Dado extraído da proposta orçamentária de 2026 enviada pela Sesa à Sefa
10 Diminuição do investimento em saúde por conta da redução do IPVA
Em meio a tantos números ruins, a redução do IPVA provocará um impacto de R$ 1,7 bilhão no orçamento estadual de 2026. Desse total, a saúde perderá cerca de R$ 170 milhões. A estimativa foi levantada pela assessoria econômica do SindSaúde-PR com base nos últimos balanços orçamentários da gestão.
Resumo – É caluniosa a retórica do governador, Ratinho Junior, e do secretário de Saúde, Beto Preto, de que o Paraná vai de vento em popa. Fala se muito em obras, mas elas estão atrasadas ou nem saíram do papel. Fala-se muito em índices, mas basta observar as apresentações feitas no Conselho Estadual da Saúde para perceber que, sim, a saúde pública no Paraná está doente!
Fonte: SindSaúde-PR












