Em 2025, completa 10 anos de um dos episódios de maior truculência cometido pelo estado do Paraná contra os servidores
A APP-Sindicato (Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Paraná) – Núcleo Londrina promove caravana para ato estadual convocado em Curitiba, na próxima terça-feira, 29 de abril.
A concentração está marcada para às 9h na Praça Tiradentes, na região central. Na sequência, os manifestantes saem em passeata até o Centro Cívico.
Desde 2015, o dia 29 de abril tornou-se um marco para o funcionalismo paranaense. Nesta data, servidores estaduais acompanhavam em frente à ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná) a votação de projeto de lei que alterava o custeio da ParanáPrevidência.
Sob ordens do, então, governador Beto Richa (PSDB) e coordenação do secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, policiais militares atacaram os manifestantes com bombas, balas de borracha e gás de pimenta.
O episódio ficou conhecido como o “Massacre de 29 de Abril” ou a “Batalha do Centro Cívico”. A repressão deixou mais de 200 pessoas feridas. Nenhum agente do estado foi responsabilizado.
Para fazer memória, em assembleia realizada no último dia 12 de abril, a categoria aprovou a paralisação das atividades em todo o estado.
Educadores de Londrina e região, vinculados à rede estadual que tenham interesse em comparecer à mobilização na capital paranaense, devem reservar lugar previamente, entrando em contato através do número (43) 3323-2662. O atendimento ocorre em horário comercial.
O ônibus sairá da frente da APP-Sindicato (Avenida Juscelino Kubitschek, nº 1.834 – Centro) na próxima segunda-feira às 23h30, com chegada prevista em Curitiba às 7h da terça-feira, dia 29. O retorno para Londrina acontece logo após o ato, por volta das 14h.
Márcio André Ribeiro, presidente da APP-Sindicato Londrina, pontua a importância do evento para que a ofensiva não caia no esquecimento. “Fundamental manter a memória de uma tragédia que está marcada e ficará marcada por muito tempo na história do povo paranaense”, diz.
Ainda de acordo com a liderança, a intenção também é intensificar a pressão para o atendimento das reivindicações por melhores salários e condições de trabalho. Entre as solicitações, os educadores exigem o pagamento do piso nacional do magistério, com aplicação na tabela do plano de carreira para professores da ativa, temporários e aposentados com e sem paridade.
Os educadores também solicitam a abertura de novas vagas para o PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional), que a cobrança do desconto previdenciário seja aplicada somente nos valores acima do teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o pagamento da data-base para todo o funcionalismo paranaense (relembre aqui).
Neste mês, a dívida acumulada com os servidores atingiu 47%. Isto quer dizer que, desde 2017, os trabalhadores deixaram de receber em torno de 25 salários.
Na avaliação do docente, a troca de gestão entre Richa e Ratinho Júnior (PSD) não levaram a mudanças significativas, de modo que as violências contra a categoria cresceram na última década.
“As condições de trabalho pioraram muito, o assédio moral no ambiente de trabalho tornou-se insuportável somando-se à falta de diálogo, o desrespeito e desvalorização demonstrados por estes governos através da diferença de salários que pleiteamos”, adverte.


Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












