Atividades priorizam expositores e grupos pertencentes a segmentos historicamente marginalizados
O 3º Festival das Diversidades, evento organizado pela produtora cultural Kapanga Criativa e o programa de extensão da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Práxis Itinerante, está com inscrições abertas para aquelas e aqueles que desejam expor seus trabalhos. As propostas podem ser submetidas até 20 de março através do formulário disponível aqui.
As inscrições são gratuitas e podem participar artistas, grupos culturais, pesquisadores e feirantes cujas produções dialoguem com os seguintes eixos: artes da cena, música, artes visuais, educação, ciência, direitos humanos, economia criativa e solidária.
Tiago Daniel, ator, produtor cultural, diretor da Kapanga Criativa e do Festival das Diversidades, salienta que a programação composta a partir do chamamento, priorizará a valorização de grupos historicamente marginalizados como pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, com deficiência, povos e comunidades tradicionais.
“O Festival das Diversidades parte do entendimento de que a cultura deve ser o principal campo de disputa pelos corpos marginalizados. Acreditamos não apenas no direito ao acesso aos equipamentos disponíveis, mas na importância da ocupação, reestruturação e criação de espaços seguros para nossos corpos, fortalecendo produções que expressam experiências, saberes e estéticas frequentemente invisibilizadas”, afirma.
De acordo com ele, a intenção é desconstruir a ideia de que conhecimento, arte e cultura são produzidos apenas em espaços institucionais, restritos à minoria da população. A democratização da cultura e da ciência, em suas múltiplas manifestações e áreas, é uma das principais finalidades do Festival, cujas atividades ocorrem entre março e agosto, em diferentes municípios do Paraná.
“Mais do que representatividade, trata-se de redistribuir oportunidades, fortalecer redes comunitárias e afirmar a cultura como prática de resistência, produção de conhecimento e transformação social. Queremos relembrar e reforçar a ideia de que não se produz ciência só nos ambientes socialmente elaborados como guardiões de tal sabedoria. Ciência se faz na rua, com afeto, encontro arte e corpos vivos”, adverte.
Abrindo a programação, no dia 1º de março, a partir das 15h, ocorre a mesa “Corpos marginalizados na cultura e na ciência” no Canto do Marl (Av. Duque de Caxias, 3.241 – Centro, Londrina). A atividade contará com a participação de Malu Jimenez, filósofa, artivista, autora de “Lute como uma gorda”, professora da UEL e PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais); Menor Npr, rapper, autor de “Poesia 043”, integrante do Coletivo UDV, e Ursula Boreal, cientista social, mestra e doutoranda em Sociologia na UEL, integrante da Frente Trans de Londrina e do programa Práxis Itinerante.
O lançamento do Festival também contará com apresentação do grupo Doce Veneno, Ballroom, feirinha e discotecagem. Expositores e DJs que desejarem participar também devem preencher o formulário de inscrição.

No documento, é preciso informar dados como eixo e categoria da proposta; descrição detalhada da atividade; necessidades técnicas e estruturais; autodeclaração de pertencimento ao público prioritário (quando aplicável). Também é desejável o envio de portfólio com fotos, vídeos, entre outros materiais. As inscrições seguem até 20 de março.
As propostas submetidas serão avaliadas por uma comissão curatorial formada por integrantes da organização do Festival e convidades. A análise considerará os seguintes critérios: alinhamento com os objetivos e diretrizes do Festival; diversidade de representações e pertencimento ao público prioritário; relevância artística, cultural, social e política; viabilidade técnica e orçamentária; contribuição para a descentralização cultural no Paraná.
“A terceira edição do Festival das Diversidades marca um momento histórico para a cultura londrinense: o impulsionamento de mais um festival cultural em Londrina, sobretudo, que se dedica a visibilizar corpos marginalizados e ocupar espaços de fomento à ciência popular e periférica. Nossa programação é extensa e abarca atividades de diferentes eixos, isso não se constrói apenas com o orçamento e projeto do festival. Isso se constrói com luta coletiva, apoio, sonho e esperança de tomar o espaço que nos pertence”, compartilha Tiago.
Os resultados serão divulgados conforme cronograma por meio do site e Instagram do evento.
O Festival garantirá as demandas técnicas das atividades, mas não pagará cachês, sendo permitida a solicitação de contribuição ao público após as apresentações.
“Convido todes artistas, coletivos, pesquisadores, educadores e feirantes de Londrina e região a integrarem este movimento. Se sua proposta dialoga com a diversidade, com os territórios e com a democratização da cultura, este espaço é para você. Entre em contato com o Festival pelos meios oficiais disponíveis em nossas redes. Venha construir conosco um festival plural, gratuito, descentralizado e comprometido com a valorização das múltiplas vozes que compõem a cultura do nosso estado”, convoca.

Trajetória
Originado a partir do Sarauzinho do CLCH (Centro de Letras e Ciências Humanas), o Festival das Diversidades é um evento multiartístico que nasce na Universidade Estadual de Londrina, reflexo de uma trajetória construída coletivamente por estudantes, docentes, coletivos e movimentos sociais que buscavam transformar a Universidade em um território vivo de expressão, inclusão, arte e ciência.
Em 1º de março de 2024, ocorreu 1ª edição do Festival, realizada no gramado do CLCH. A programação reuniu bandas, apresentações de teatro, dança, feira de produtores locais e exposições artísticas, atraindo estudantes e moradores de Londrina — muitos deles pisando, pela primeira vez, na UEL.
A 2ª edição, realizada em 23 de agosto de 2024, expandiu o formato do evento, com uma programação que se estendeu das 14h às 22h.
Neste ano, o Festival das Diversidades integra o Circuito Paraná Plural, realizado por meio do Programa Paraná Festivais, uma iniciativa da Secretaria Estadual de Cultura do Paraná em parceria com a HOTMILK – Ecossistema de Inovação da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), com apoio da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura).

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












