As atividades do 8M acontecem no sábado (7) e domingo (8) e destacam pautas como o enfrentamento ao feminicídio, fortalecimento de políticas públicas e direitos das mulheres
O próximo domingo (8), é marcado pelo Dia Internacional da Mulher, e Londrina contará com atos públicos durante o final de semana organizados por coletivos feministas e por entidades como o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres. As mobilizações acontecem no sábado e domingo, no centro da cidade e na zona norte, com atividades voltadas à divulgação de direitos, manifestações políticas e intervenções culturais.
No sábado (7), o ato organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres será realizado no Calçadão, em frente ao Cine Teatro Ouro Verde, a partir das 9h.
De acordo com a presidenta do Conselho, Sueli Galhardi, a atividade terá distribuição de materiais informativos sobre direitos das mulheres e a rede de proteção dentro do município. “Também teremos um microfone aberto às organizações, aos coletivos, aos movimentos sociais que vêm trazendo essa luta das mulheres”, afirma.
Ela explica que a atividade reúne também integrantes da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Londrina.
Já no domingo (8), o ato, organizado pela Frente Feminista de Londrina, começa às 9h na Feira da Saul, Avenida Saul Elkind nº 1.348, em frente ao Móveis Brasília, e percorrerá o caminho completo da Feira Livre.
“Teremos microfone aberto para as mulheres compartilharem suas experiências, oficina de cartazes e performances de artivistas locais”, conta Meire Moreno, professora de Sociologia, integrante Frente Feminista de Londrina.
Pautas e reivindicações
Segundo Silvana Mariano, as manifestações dialogam com o manifesto nacional do 8M de 2026. “Serão gritos pelo fim do feminicídio, pelo fim da jornada 6×1, pela justiça nos cuidados”, afirma.
Ela também destaca reivindicações locais, como o fortalecimento de políticas públicas. “Puxando para o cenário local, falaremos do necessário fortalecimento da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, com ampliação de orçamento, e da recomposição do orçamento para a assistência social.”
O enfrentamento à violência de gênero será uma das principais pautas das mobilizações.
Sueli Galhardi lembra que dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registrou 1.568 feminicídios em 2025. “Quatro mulheres morrem por feminicídio no Brasil por dia, é um número alarmante”, pontua.
Para Sueli, conforme as mulheres vão se informando e conhecendo a rede de proteção, “elas descobrem que não precisam ficar no ciclo da violência e buscam apoio para sair desse ciclo. Muitas vezes é nesse momento que o agressor não aceita a ruptura do relacionamento”, adverte.
Em Londrina, segundo Silvana Mariano, houve redução nos registros em 2025 em relação ao ano anterior, mas o problema continua exigindo atenção. “Em 2025, Londrina registrou menos feminicídios do que o ano anterior, enquanto quase todo o país teve crescimento. Mesmo assim, ainda precisamos avançar mais. Nenhum feminicídio é aceitável, pois é um assassinato que acontece porque a vítima é uma menina ou mulher”, assinala.
A professora ressalta que a mobilização social tem papel importante na prevenção da violência. “Quando nós passamos o mês inteiro tratando do tema dos direitos das mulheres, falando de empoderamento e recusando a normalidade da violência contra meninas e mulheres, nós certamente contribuímos para a prevenção”, ela observa.
Desafios nas políticas públicas
Sueli explica os desafios na implementação de políticas públicas no município, especialmente em relação à Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres.
Segundo ela, o Conselho se mobilizou no ano passado após o anúncio de que a secretaria poderia ser incorporada a outras pastas. “Nós tivemos uma demanda muito grande relacionada à manutenção da Secretaria de Políticas para as Mulheres”, afirma.
A presidenta aponta as dificuldades estruturais, como falta de profissionais em serviços importantes da rede de atendimento. “A defasagem de profissionais dentro da Secretaria da Mulher para atender o Centro de Atendimento à Mulher e a Casa Abrigo Canto de Dália é uma preocupação. Precisamos avançar no fortalecimento da Secretaria.”
Apesar dos desafios, ela destaca a importância da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em Londrina, que completa 15 anos de atuação neste mês.
Serviço
Sábado- 07/03
Local: Calçadão de Londrina em frente ao Cine Teatro Ouro Verde
Horário: 9h
Domingo- 08/03
Local: Feira da Saul (Av Saul Elkind 1348 – Em frente ao Móveis Brasília)
Horário: 9h












