Recurso foi repassado pela CML, após o corte de R$ 17 milhões para o orçamento deste ano; conselheiros e usuários criticam o prefeito e pedem apoio do novo secretário para melhorar o diálogo com o Executivo
O auditório da Secretaria Municipal de Assistência Social ficou lotado na tarde desta quarta-feira, dia 11, para a realização da primeira reunião ordinária do Conselho Municipal de Assistência Social tendo como pauta principal a proposta de distribuição do aporte orçamentário.
Além dos conselheiros, estiveram presentes: o secretário de assistência social, Cláudio Mello, usuários, representantes do Ministério Público e de algumas entidades que prestam serviços para o município, as chamadas OSCs (Organizações da Sociedade Civil).
Antes da aprovação da pauta, o novo secretário, que assumiu oficialmente a gestão da pasta na última semana, foi apresentado aos participantes, onde se colocou como uma ponte com o Executivo.
“Temos vários desafios pela frente, pois estamos à frente do terceiro maior orçamento do município e temos de honrar isso. A pauta sobre as pessoas em situação de rua, é uma das principais cobranças e nós já nos reunimos com o comitê intersetorial que debate esse tema, visando avançar num plano municipal para trabalhar especificamente essa demanda”, explicou o secretário.
Revolta e insatisfação
A pauta da reunião foi para debater a utilização dos R$ 4 milhões que a Câmara de Vereadores repassou para a pasta. Os projetos assistenciais Família Acolhedora, Cadastro Único, Casa Lar, Programa Migrante e o PMTR (Programa Municipal de Transferência de Renda) estão entre os escolhidos.
Desde o início da reunião, o PMTR tomou conta do debate. Tantos servidores como usuários se mostraram insatisfeitos e revoltados com a forma que o prefeito Tiago Amaral (PSD) tem tratado o programa, cortando mais de 500 benefícios de famílias em situação de vulnerabilidade social.
“Estou muito preocupada com tantas pessoas que perderam o PMTR e estão sem condições de comprar alimentação para a família. Isso é algo terrível, às vezes eu penso que o prefeito não é humano, que ele não tem coração. Eles também estão cortando o cupom e o vale-gás. Nossa esperança é que esse novo secretário lute pelos nossos direitos”, disse a cozinheira Giselia Custodio de Oliveira, moradora na Zona sul, delegada do CMAS e usuária do serviço.
A assistente social do Centro de Referência da Região Leste, Gisele Tavares, também considerou importante a presença do novo secretário na reunião e espera que ele realmente consiga abrir as portas do diálogo com o prefeito. Segundo ela, a luta pela retomada do orçamento para assistência é o ponto crucial do debate. Em outubro de 2025, a prefeitura anunciou o corte de R$17 milhões na assistência social do município (relembre aqui).
“Até agora a prefeitura não respondeu ao CMAS sobre como vai repor o orçamento. Falaram dos R$ 11 milhões que foram repassados pela Câmara Municipal, no entanto, para assistência vieram míseros R$4 milhões que não viabilizam os programas. Enquanto isso, as demandas só aumentam”, disse Gisele Tavares.

Deliberações
Após quatro horas de intenso debate, os conselheiros aprovaram a pauta. Um dos ajustes foi a transferência de recursos na ordem de R$324.200,00 que seriam utilizados futuramente no Programa Família Acolhedora para o PMTR. Segundo Gisele Tavares, esse valor vai possibilitar o atendimento do pagamento do PMTR para mais famílias.
“Nós conseguimos aprovar como serão utilizados o orçamento e algumas alterações que vão possibilitar a manutenção de 566 benefícios a mais dos que estão previstos no orçamento, mesmo assim 211 PMTR ficaram descobertos. Por isso nós precisamos saber como a gestão vai resolver isso”, explicou Tavares.
Outra deliberação, foi a criação de uma comissão que vai participar de um encontro com o prefeito para discutir as demandas do CMAS. Para a presidenta do conselho, Josiani Severino dos Santos Nogueira, a expectativa é que o prefeito receba o grupo o quanto antes. A intermediação fica por conta do novo secretário, Claudio Melo.
“Foi uma plenária importante porque contou com a presença do secretário que participou o tempo todo e aprovou a pauta junto com os conselheiros. Precisamos que seja aberto o diálogo com o prefeito sobre a recomposição do nosso orçamento e o Cláudio afirmou aqui que vai trabalhar para que isso aconteça. Acreditamos que vai ser melhor de agora para frente”, finalizou.
Elsa Caldeira - Jornalista formada pela UEL. Tem pós-graduação em Comunicação Popular Comunitária/UEL, é apresentadora do Programa Aroeira da rádio UEL/FM, assessora do Coletivo de Sindicatos de Londrina e diretora executiva do Portal Verdade.













