Documento reconhece as contribuições do evento na defesa de direitos da população LGBTQIA+, além de ser uma fonte de emprego e renda
O Coletivo de Sindicatos de Londrina e Região – formado por 15 entidades que representam diferentes trabalhadores da iniciativa pública e privada – e seus veículos de comunicação, Portal Verdade e Aroeira, expressam seu apoio à 7ª Parada Cultural LGBTQIA+ de Londrina, marcada para o próximo dia 7 de dezembro.
Destacamos a importância do evento que ao longo dos últimos anos tem se constituído como um espaço diverso, no qual todas as vidas são legítimas e têm seus direitos reconhecidos em conformidade com a Constituição Federal de 1988, que estabelece a igualdade entre todes indistintamente, inclusive, na ocupação dos espaços públicos e livre manifestação.
A Parada Cultural LGBTQIA+ expressa, portanto, um momento de valorização das diversidades, das múltiplas formas de existir para além das amarras cisheteronormativas, que tendem a aniquilar identidades e sexualidades dissidentes.
O tensionamento é urgente, já que o Brasil é um dos países que apresenta maior índice de violência contra a população LGBTQIA+ no mundo. Opressões que se agravam na medida em que se adota um olhar interseccional, ou seja, considerando também recortes de classe e pertencimento étnico-racial.
Somente em 2024, o país contabilizou 122 assassinatos de pessoas transexuais e travestis, segundo informações da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). A maioria das vítimas são mulheres trans, jovens, negras e nordestinas, vítimas de crimes marcados por extrema violência. Apesar dos dados alarmantes, a entidade alerta para a subnotificação dos casos, visto a dificuldade nos registros.
Na esteira, reportagem do Portal Verdade, demonstrou que Londrina é a 5ª cidade mais violenta para população LGBTQIA+ no Paraná. Segundo dados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Londrina já contabilizou 54 casos de violência contra pessoas LGBTQIA+ em 2025.
Diante de tal contexto marcado por extrema repressão, é fundamental que ocorram ações que defendam os direitos da população LGBTQIA+, que ainda sofrem a violação sistemática de direitos fundamentais como o acesso à saúde, educação, trabalho, moradia, justiça, entre outros.
Também ressaltamos as contribuições do evento para a economia local, uma vez que a estimativa é que a 7ª Parada Cultural LGBTQIA+ de Londrina gere pelo menos 500 vagas de trabalho diretas e indiretas. Ainda, a atividade coopera para destacar o papel de Londrina frente a outros municípios, haja vista que caravanas se deslocam para acompanhar as 7 horas de programação gratuita, incluindo shows, discotecagem, entre outras atrações.
Deste modo, o evento corrobora para o acesso à cultura de maneira universal, principalmente, para camadas subalternizadas da população como a comunidade LGBTQIA+, que também encontram na Parada Cultural LGBTQIA+, uma possibilidade para divulgação de seus trabalhos sem estigmas.
Mediante a ascensão de discursos reacionários e de uma agenda antigênero de caráter global, ecoados por representantes da extrema-direita vinculados ao poder Legislativo local, é necessário a valorização de ações como a Parada que visam romper com a perspectiva de uma “história única” sobre Londrina, resgatando o legado de ícones do movimento LGBTQIA+ de Londrina, como Scarlett O’Hara.
No mapa das brechas, seguimos pautando mundos outros – como a Parada LGBTQIA+ de Londrina – ecoando vozes que a cisheteronormatividade, o racismo, o elitismo e higienismo social, entre outras formas de intolerância tentam silenciar.
Enquanto tentam tombar mais vidas, nós repetimos Conceição Evaristo:
“Combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”.
Vida longa à Parada LGBTQIA+ de Londrina!
Coletivo de Sindicatos de Londrina e Região
Portal Verdade
Aroeira
Londrina, 28 de novembro de 2025

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











