Em reunião, assistentes sociais relataram o sofrimento das famílias que perderam o benefício do PMTR; novos protestos e audiência pública estão na pauta
Assédio moral, falta de autonomia, medo de represálias, desrespeito e ausência de ética são algumas das reclamações relatadas por várias assistentes sociais que atuam em programas municipais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Os relatos ocorreram na primeira reunião do Coletivo em Defesa do SUAS em Londrina, realizada na última terça-feira, dia 3, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos de Londrina (SINDSERV LD), com apoio do Sindicato dos Empregados em entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Estado do Paraná (SENALBA).
Cerca de 30 pessoas participaram da reunião que teve como objetivo analisar a atual conjuntura dos serviços na cidade e traçar metas para os próximos meses. O cancelamento de mais 500 benefícios do Programa Municipal de Transferência de Renda (PMTR) e a mudança na gestão da Secretaria Municipal de Assistência Social ampliaram o debate.
“Diante do desmonte da política de assistência social no município que vem crescendo desde o começo desta gestão, o Coletivo se reuniu para fazer um balanço das ações em 2025 e traçar metas para este ano, agora de forma mais positiva com a chegada do novo secretário da pasta”, declarou a assistente social Edsonia Marcelino.
Na última sexta-feira, dia 30, o Executivo anunciou a saída da empresária Marisol Chiesa do comando das Secretarias Municipais de Assistência Social e do Idoso, passando a responder apenas pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres. A Secretaria de Assistência Social será assumida pelo atual presidente do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente), Claudio Márcio de Melo.
“O novo secretário é assistente social, tem experiências com o SUAS e compromisso com as políticas de assistência, por isso temos a expectativa que seja aberto o diálogo, a transparência e o respeito com a população que vive em situação de vulnerabilidade e com o trabalho dos profissionais desenvolvido pela política de assistência social da cidade”, ressaltou Marcelino.
CMAS
A assistente social informou ainda que, o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) avaliou que foram importantes as manifestações em defesa do SUAS em 2025.
“Já estamos nos articulando com o Ministério Público para que sejam traçadas novas ações que garantam a proteção social das pessoas que adquiriram este direito. A gestão não tem respeitado as deliberações do Conselho, para se ter uma ideia nem a ata da última reunião, ocorrida no ano passado, foi enviada para os conselheiros, por isso estamos convidando os usuários para participarem da próxima reunião para denunciar o que eles têm enfrentado. Também devemos realizar novas manifestações”, informou.
A realização de audiência pública para debater a crise na política de assistência do município também foi debatida durante o encontro. A próxima reunião do CMAS será no próximo dia 11, a partir das 14h no auditório da Secretaria de Assistência Social (Av. Juscelino Kubitscheck, nº 2.896, Centro).
Corte no PMTR: Mães chegam chorando no CRAS
Adriana Aparecida dos Santos, assistente social do Centro de Referência Social da Zona Sul, trabalha na prefeitura há 25 anos e garante que nunca se viu algo parecido com o que está acontecendo na atualidade.
“O PMTR teve início em 2021 com a perspectiva de crescimento, com inclusão de mais famílias e agora estamos diante de um corte assustador. É um absurdo, pois nunca tivemos cortes nos programas de transferência de renda ao longo da história”, informou Adriana.
Ela conta que as equipes foram informadas em janeiro, cinco dias antes do repasse, que as famílias não receberiam o benefício. ”Os usuários foram pegos de surpresa. Eles precisam do dinheiro para a alimentação e pagar suas contas. Todos os dias chegam mães chorando na recepção do CRAS, querendo saber porque foram desligadas do programa. É uma situação dramática, porque são trabalhadores que não tem renda suficiente para garantir a sobrevivência dos filhos, pagar o aluguel, a luz, enfim, é desumano o que está ocorrendo”, desabafa.
Falta transparência
Ainda de acordo com a assistente social Adriana Aparecida dos Santos as equipes que atuam no atendimento às famílias estão trabalhando “às escuras”, ou seja, sem saber o que dizer para os usuários que têm procurado desesperadamente o CRAS.
“Existe uma ausência de informações por parte da prefeitura. Primeiro eles desligam a família, depois informam as equipes, dizem que vão corrigir os erros cometidos, mas não corrigem e não dão garantia de que as poucas famílias que voltaram para o programa, se isso vai se efetivar de fato. Isso mostra que a gestão não garante transparência nenhuma para os usuários”, concluiu Santos.
Resposta da PML
O Portal Verdade, em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Londrina (PML) para que se manifestassem sobre as declarações das assistentes sociais, foi informado de que a Prefeitura vai aguardar a posse do novo secretário de assistência para que ele se manifeste sobre os pontos abordados na matéria. Ainda segundo a assessoria, a posse deve ocorrer amanhã, quinta-feira (5).
Elsa Caldeira - Jornalista formada pela UEL. Tem pós-graduação em Comunicação Popular Comunitária/UEL, é apresentadora do Programa Aroeira da rádio UEL/FM, assessora do Coletivo de Sindicatos de Londrina e diretora executiva do Portal Verdade.












