Apresentações são gratuitas. Coletivo pede a doação de alimentos não perecíveis que serão destinados ao povo indígena Kaingang de Londrina
O Coletivo Ọfà Dodún, voltado à arte e produção cultural, inaugurou mais uma edição da performance Odù Boamorte, desta vez com uma nova leitura sobre o trabalho que vem sendo pesquisado desde 2019.
A performance traz uma perspectiva candomblecista sobre a morte enquanto resgate da ancestralidade afro-brasileira. Odù é um ritual decolonial para uma boa passagem já que a morte não é o fim, mas recomeço.
A performance é idealizada por Nanjilè, bacharela em Artes Cênicas UEL (Universidade Estadual de Londrina) e integrante do Coletivo. De acordo com ela, a principal motivação para criação da peça foi a necessidade de expressar sua individualidade, trazendo ao público o convite para ressignificar a ideia de finitude.
“Realizar e criar são necessidades básicas do ser humano e é bom pensar que Odú Boamorte pode ser uma inspiração nesse sentido. Todas as pessoas têm o direito de criar e se expressar criativamente”, diz.
Odù traz em sua essência a regência da Orixá Nanã, ìyábá que rege o domínio do mistério da origem da vida. Ìyá Àgbà (mais velha, anciã) que rege o tempo da decantação nas águas e na lama primordial que nos trouxe à existência. Odù em língua Iorubá significa “caminho”.
Esta edição conta com três apresentações: a primeira ocorreu nesta quarta-feira (4) na UEL. Já a segunda, acontece nesta sexta-feira (6), na Vila Norte Cultural às 19h30 (Rua Lino Sachetin, nº 498 – Conjunto Habitacional Luiz de Sá). No domingo (8), a performance chega à Praça do Jardim Maria Cecília, na Avenida Saul Elkind, também na zona norte.
As apresentações são gratuitas. No entanto, o Coletivo pede para que as pessoas contribuam com 1kg de alimento não perecível. As arrecadações serão destinadas ao povo indígena Kaingang de Londrina.
“As expectativas com essa nova temporada de circulação está em torno da nova leitura sobre este trabalho que está em pesquisa desde 2019 e já passou por outras experimentações e agora ganha uma nova proposta de realização com a participação de novas performers, serão quatro duplas entre mães e filhos, tia e sobrinha, que irão vivenciar esse trabalho. Além disso, também iremos produzir uma videoarte com o registro dessas apresentações, gerando um desdobramento do trabalho na linguagem do audiovisual”, assinala.
O projeto possui incentivo da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Lei Paulo Gustavo, via Ministério da Cultura.


Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












