Mobilização fez parte da Semana Camponesa do MST, jornada nacional por Reforma Agrária e direitos no campo em todo o Brasil
A Semana Camponesa do MST aconteceu entre os dias 20 a 25 de julho, com dezenas de reivindicações sobre a Reforma Agrária. A jornada de luta aconteceu no Brasil todo, e no Paraná não foi diferente, com mais de 200 militantes Sem Terra realizando uma audiência no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em Curitiba.
Segundo Sandra Flor Ferrer, integrante da direção do Assentamento Eli Vive, dia 21, foi feita uma formação com os militantes para a ocupação do INCRA acontecer nos dias 22 e 23.
Os 200 militantes paranaenses participaram da reunião com o procurador de Justiça, Dr. Olympio de Sá Sotto Maior Neto, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná (MP-PR); Leila Aubrift Klenk, Superintendente Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) no estado; Nilton Bezerra Guedes, superintendente do Incra-PR, além de servidores do Incra e representantes do executivo estadual e de parlamentares.
“Essa reunião, e toda essa semana, foi para dizer que nós precisamos urgente que a Reforma Agrária aconteça dentro do nosso país. Nós estamos com mais de 60 mil famílias dentro do nosso país precisando ser assentadas. Famílias que estão há mais de 20 anos esperando”, afirma Flor.
A Semana Camponesa do MST
A Semana Camponesa do MST ocorreu em virtude do Dia Internacional da Agricultura Familiar, comemorado em 25 de julho. Em 22 capitais do Brasil, o MST mobilizou cerca de 17 mil militantes, sob o lema “Para o Brasil alimentar, Reforma Agrária Popular!”. As primeiras reivindicações começaram no domingo, dia 20, e se intensificaram ao longo da semana com a realização de marchas, atos públicos, audiências, ocupações de terras e ações em bancos, prefeituras, secretarias do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e INCRAs nos estados.
Logo no início da semana, o Movimento publicou uma carta a sociedade exigindo agilidade no assentamento de 65 mil famílias que vivem acampadas há décadas, aguardando a efetivação da Reforma Agrária. Das 122 mil famílias cadastradas atualmente pelo INCRA, cerca de 100 mil estão organizadas pelo MST. Entre os principais pontos reivindicados estavam a democratização do acesso à terra, a criação de novos assentamentos, moradia, crédito para produção de alimentos, avanços na Educação do Campo e o reconhecimento da Reforma Agrária como política essencial à soberania nacional. A carta, na íntegra, está disponível no site oficial do MST.
Em meio às mobilizações estaduais, uma comissão do MST esteve em Brasília para dialogar com representantes do Governo Federal. Na segunda-feira, dia 21, os dirigentes se reuniram com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, para discutir políticas públicas voltadas aos direitos das trabalhadoras do campo. Na terça-feira, dia 22, foi a vez do encontro com o ministro da Educação, Camilo Santana, com foco no fortalecimento do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA).
Na manhã de quarta-feira, dia 23, ocorreu uma reunião entre a comissão do MST e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que foram abordados os desafios da Reforma Agrária na atual gestão. À tarde, o diálogo continuou com integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
Segundo Ceres Hadich e João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST, o presidente Lula se comprometeu com parte das reivindicações apresentadas. João Paulo afirmou que, além da pauta específica da Reforma Agrária, também foram debatidos temas relacionados à conjuntura política nacional, como os desafios nas relações com os Estados Unidos e a mobilização da classe trabalhadora. Ceres reforçou que o fortalecimento das alianças internacionais em defesa da soberania dos povos também foi tema da conversa, destacando que a luta pela terra está inserida nesse contexto mais amplo.
Na segunda parte da reunião, foram aprofundadas as pautas nacionais do Movimento, como terra, teto, crédito e educação. Segundo Ceres, esses temas estão sendo tratados simultaneamente nos estados com os governos locais, INCRAs e MDA. Entre as medidas debatidas, destacaram-se a elaboração de um plano emergencial para assentar as 65 mil famílias acampadas há décadas, bem como das 120 mil famílias cadastradas pelo INCRA; a recomposição do orçamento do PRONERA para garantir cursos já em andamento e os aprovados; o acesso facilitado ao crédito e ao desenvolvimento de cooperativas; o estímulo à produção de alimentos saudáveis; e o fortalecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e dos programas institucionais de compras da agricultura familiar e camponesa.
Principais reivindicações
Segundo Edelvan Carvalho, integrante da direção do Assentamento Eli Vive, as reivindicações apresentadas incluem o assentamento imediato das mais de 60 mil famílias em todo o país que esperam pela terra há mais de 20 anos. Também é cobrado que o governo Lula avance de forma concreta na Reforma Agrária, desapropriando as áreas já em negociação e garantindo recursos suficientes ao MDA, ao INCRA e à CONAB. Reivindica-se a realização de concurso público para o INCRA, com o objetivo de fortalecer a instituição e viabilizar a execução das políticas de Reforma Agrária.
Outra pauta importante é o desenvolvimento dos assentamentos já existentes, com investimento em programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de ampliação das compras institucionais da agricultura familiar. Exige-se também melhorias em infraestrutura, como construção de casas e estradas, além de acesso real ao crédito rural, já que os programas atuais não estão atendendo as famílias assentadas. É solicitado um novo programa que permita o acesso efetivo ao crédito para quem vive nos assentamentos.
A expectativa é de que o governo cumpra a promessa de assentar 60 mil famílias até o fim do mandato.
Além disso, houve apoio a outras pautas sociais como o Plebiscito Popular de 2025, a defesa da soberania nacional, à crítica ao imperialismo e repúdio à figura de Donald Trump.
Matéria da estudante de Jornalismo, Clara Borbalan, sob supervisão











