Lideranças querem saber onde serão usados os R$ 11 milhões repassados pelo governo do estado; vereadora Paula Vicente defende que dinheiro devolvido da CML á prefeitura sejam utilizados integralmente na assistência social
A sala de reuniões da Secretária da Assistência Social ficou lotada na tarde desta segunda-feira, 22, onde foi realizada uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS). Na pauta um tema que tem tirado o sono de vários segmentos da cidade, principalmente trabalhadores e usuários do Sistema Único da Assistência Social (SUAS) em Londrina: apresentação e deliberação sobre critérios de concessão do BEE (Benefício eventual com duas modalidades, depósito bancário e cartão alimentação – compra no mercado) e o Programa Municipal de Transferência de Renda (PMTR).
Logo no início da reunião os conselheiros e outros participantes pediram para incluir na pauta o debate sobre o orçamento municipal. Destacando que até agora o executivo não explicou onde serão usados os R$ 11 milhões repassados pelo governo do estado.
A assistente social Rosimeire Felix de Barros, é coordenadora do CRAS Norte, faz parte do Coletivo em defesa da Assistência Social de Londrina e foi uma das participantes que questionou a pauta. “Entendemos que o conselho não pode votar sobre cortes nos serviços neste momento porque não sabemos de que forma os recursos serão utilizados. Não é hora de cortar benefícios. Os R$ 4 milhões repassados pela Câmara Municipal de Londrina (CML) à prefeitura poderão ser usados para se evitar os cortes de direitos e para se retomar os projetos que foram descontinuados, mas o executivo não explica isso”, declarou a assistente social.
Atualmente o município atende 3091 pessoas pelo PMTR e 1957 recebem o BEE, com o valor de R$288,00, se houver o corte proposto, o valor passaria para R$ 200,00. Lembrando que no caso PMTR o governo atual está propondo um benefício de apenas 1/4 do valor previsto em sua criação em 2007.
Repasse da CML
Durante a reunião, a vereadora Paula Vicente (PT) lembrou que na última semana a CML devolveu R$ 11,4 milhões aos cofres do município, valor referente a dotações orçamentárias não utilizadas ao longo de 2025. Na opinião da vereadora esse valor pode ser utilizado para garantir os serviços da assistência no município. “ Sugerimos que o CMAS faça uma moção para que o prefeito use esses recursos para fazer a reposição dos valores retirados da assistência. Essa é uma forma de retomar e manter os serviços que foram cortados. Para isso, basta ter vontade política”, disse a vereadora.
Já a presidenta do CMAS, Josiane Nogueira, afirmou que mesmo sem ter conseguido colocar a pauta em votação a reunião foi positiva. “Tivemos uma discussão acalorada, por isso no final ficamos sem quórum. Vamos encaminhar a moção solicitando que os recursos da CML venham para assistência e aguardar a decisão do executivo”, disse.
Elsa Caldeira - Jornalista formada pela UEL. Tem pós-graduação em Comunicação Popular Comunitária/UEL, é apresentadora do Programa Aroeira da rádio UEL/FM, assessora do Coletivo de Sindicatos de Londrina e diretora executiva do Portal Verdade.












