As mobilizações são organizadas pelos núcleos sindicais da APP e acontecem em todas as regiões do estado
Policiais, cavalos, cachorros e bombas: foi esta a tratativa do, então, governador do Paraná Álvaro Dias com professores que reivindicavam por melhores condições de trabalho. O ataque ocorreu em 30 de agosto de 1988, em Curitiba, e desde então tornou-se um marco de luto e de luta.
“É o momento em que relembramos o passado para que não seja esquecido. E mostramos que a nossa categoria nunca curvou diante de violência e repressão. E a luta continua até hoje”, diz Márcio André Ribeiro, presidente da APP-Sindicato Núcleo Londrina.
Quase 40 anos depois, as violências contra educadores persistem de diferentes formas no estado. Sob a gestão de Ratinho Júnior (PSD) docentes e funcionários de escola têm sofrido com a desvalorização, aumento de terceirizações, plataformização e militarização do ensino, assédio institucional, arrocho salarial e crescente adoecimento da categoria, conforme tem denunciado a APP-Sindicato.
Frente a este cenário, a APP realiza neste próximo sábado (30) atos em todas as regiões do estado. Em Londrina, a manifestação inicia às 11h, no Calçadão (em frente ao Banco do Brasil).
“Neste sábado nós teremos mais um 30 de agosto, uma data em que fazemos memória a violência sofrida pelos professores e funcionários de escola em 88, e a cada ano a gente traz para a rua as violências e as pautas do que estamos vivenciando. Neste ano nós estamos levando para a rua também a denúncia de violência que os trabalhadores e trabalhadoras da educação estão vivenciando nas escolas hoje, na forma do assédio, na forma da perseguição, da pressão, que tem acarretado o adoecimento da nossa categoria grandemente”, diz Walkiria Mazeto, presidenta da APP-Sindicato.
Segundo a liderança, a mobilização tem como foco pedir o apoio da população paranaense em defesa da educação pública, que tem sofrido intenso desmonte.
“A nossa denúncia e o pedido também de colaboração, de ajuda da população para comprarmos uma briga pela educação pública de qualidade e pela vida dos trabalhadores e trabalhadoras em educação no Paraná”, assinala.
“É um chamado para as professoras e professores, pedagogas e pedagogos, funcionárias e funcionários, aposentadas e aposentados. Vamos juntos mostrar que Londrina segue firme na luta”, acrescenta Márcio André Ribeiro, presidente da APP-Sindicato Londrina.
Além de relembrar e denunciar as opressões, os trabalhadores exigem a valorização dos educadores, cobram o pagamento da data-base a todo o funcionalismo, também solicitam a revogação da lei que permite a terceirização de funcionários de escola e o fim do confisco salarial de aposentados e aposentados.
“Vamos transformar a memória em resistência e a resistência em futuro porque somente juntos garantimos dignidade, valorização e uma educação pública de qualidade no Paraná”, evidencia Ribeiro.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











