É o título de uma das grandes obras do romancista Uruguaio Eduardo Galeano, escrita em 2008. Trata-se de uma coletânea de contos, poemas e alguns ensaios onde o intelectual gauche mais reverenciado de américa latina discorre sobre globalização, consumismo, exploração, violência e imperialismo.
Sou leitor de Galeano desde os anos 80 quando, com dezessete anos e cursando a UEL, li seu obrigatório As Veias abertas da América Latina (1971), onde o escritor pontua a exploração econômica e dominação política por aqui, desde a colonização hispano/portuguesa, chegando a nossos dias de pouca glória, muito milico safado e político lambe botas.
É da essência da obra de Eduardo o interesse econômico europeu e estadunidense em américa latina – o que, sem embargo, segue significando desvio de nossas riquezas para centros de poder alienígenas, em reprodução injusta de pobreza.
Então e assim, se tio san quer o lítio de Bolívia, ele consegue – ainda que ao custo de um golpe de estado sangrento. Essa pirataria moderna, à margem das muitas mortes que tem patrocinado ao longo da história, segue impedindo o crescimento sócio econômico dos latinos e centrais, naquilo que coloniza de costumes a soberania, estabelecendo bolsões de pobreza em consequência.
A literatura de Galeano põe em evidencia a atuação do império, chamando atenção para a importância de conhecer a história (passado), em ordem a viabilizar a construção de um futuro distinto.
Em De Patas Arriba, escrito em 2008, Galeano estende sua crítica imperialista a globalização, fazendo uso de uma linguagem poética e engajada para denunciar as mazelas do mundo contemporâneo e convidar o leitor a refletir sobre a necessidade de mudança.
Desde sempre, portanto, Galeano centrou sua colaboração cultural em uma literatura de nítida orientação histórica, onde se desnuda o imperialismo colonizador e suas consequências sobre a pobreza e exploração dos povos terceiro mundistas.
Nunca gostei dos pilgrins, embora me enamore de Nova Iorque e seu multiculturalismo, bem assim de toda literatura estadunidense – com especial destaque aos beatniks (Corso, Bukowski, Ginsberg, Ferlinghetti…) e os fabulosos Hemingway, Fante, Hammett, Chandler, Sylvia Plath, Bob Dylan, Dylan Thomas…, sem falar de Charles Chaplin que, apesar de inglês, tornou-se norte-americano.
Fato é, desgosto do modelo imperialista e amo a multiculturalidade que gente feito o Pastor Luther King e o lutador Muhammad Ali esgrimiram por suas vidas, sem me esquecer de miss Lovelace e meus primeiros sonhos molhados.
Noves fora minha visão de mundo, me importa aqui e agora fazer um recorte que remete a 2009 quando um Advogado tributarista russo Sergei Magnitski morreu em uma prisão de Moscou, após investigar uma fraude milionária envolvendo supostas autoridades fiscais russas.
Sem embargo do que passou, essa situação levou à criação de uma lei estadunidense que leva o nome do Advogado e é formalmente conhecida como Revogação Jackson-Vanik da Rússia e Moldávia e Lei de Responsabilidade do Estado de Direito de Sergei Magnitsky de 2012.
Foi sancionada em 2012 pelo então Presidente Barack Obama e seu vero escopo foi punir as autoridades russas responsáveis pela morte do Advogado Magnitsky, impedindo-as de entrar nos estados unidos, bem assim usufruir do sistema bancário pilgrin.
Esse diploma legislativo introduziu uma lista (como o pilgrin gosta de lista) onde se inseriram nomes de autoridades mundo afora que, porventura, afrontassem os interesses políticos/comerciais estadunidenses.
Fato é, desde 2012 e por motivação estritamente político-comercial, os pilgrins vem usando um instrumento legiferante que põe na berlinda autoridades do mundo todo, servindo de ferramenta a consecução de suas vontades aleatórias.
Mutatis mutandis, o sociopata que preside norte américa neste momento, entendeu de usar a lei Magnitsky em favor de seu ideário fascista e, para seguir na chantagem ao povo Brasileiro, inseriu o Ministro Alexandre de Morais no âmbito da lei estadunidense.
Assim é que um Ministro da Corte Suprema Brasileira, por não pautar suas decisões jurídicas (via de regra submetidas ao colegiado do Pretório Excelso que vem referendando-as à forra tripa) à vontade política dos estados unidos, está inscrito na lista da lei Magnitsky, sujeitando-se as sanções que o diploma possibilita – proibição de visto e congelamento de seus investimentos na terra de tio san…
Na sequência da violência imperialista, a extrema direita tupiniquim segue aplaudindo e abanando o rabo, em manifestação de servilismo que não caracteriza nenhuma grandeza. Pior é que estão a fazê-lo contra o interesse e conteúdo nacional, traindo o país no interesse privado da anistia ao messias.
Efetivamente não verás país como este, pequeno gafanhoto – o país que você poderia ter visto escorreu pelos dedos despossuídos de caráter das elites econômicas
Tristes trópicos.
Saudade Pai.

João Gomes Filho
João dos Santos Gomes Filho, mais conhecido pelo apelido João Locco. Advogado, corinthiano, com interesse extraordinário em conhecer mais a alma e menos a calma.











