Mulheres de vários segmentos levaram suas demandas para a ministra; aumento do feminicídio e ausência de políticas públicas foram destaques
No último sábado,13, o mandato da deputada federal Lenir de Assis (PT-PR) realizou na Câmara Municipal de Londrina, o encontro “Mulheres conversam sobre política”, com a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
O evento voltado para mulheres, lotou o plenário do legislativo com a presença de cerca de 200 mulheres, entre lideranças feministas, comunitárias, empresárias, educadoras, jornalistas e autoridades como a vereadora Paula Vicente (PT), o deputado estadual Professor Lemos (PT-PR), entre outras. A atividade promoveu a ampliação do diálogo sobre políticas públicas para as mulheres e fortalecimento das ações do Governo Lula na defesa dos direitos e da proteção das londrinenses.
Segundo a deputada Lenir de Assis, o encontro, que reuniu setores diversos como cultura, saúde, educação, assistência social, e movimentos sociais, foi um marco político para Londrina e região. “Promovemos este debate porque temos a firme convicção de que um mandato popular se constrói na escuta ativa da base, transformando os desafios locais em prioridades na pauta federal. Conseguimos criar um espaço potente de diálogo genuíno e escuta ativa, onde a diversidade de nossas lutas pôde convergir. Ouvimos depoimentos emocionantes sobre as violências sofridas e discutimos os desafios práticos que enfrentamos em cada área”. destacou a deputada.
De acordo com a deputada a atividade demonstrou a importância de se construir propostas concretas a partir da base e na conscientização sobre a necessidade urgente da ampliação de mulheres nos espaços de poder. ” A ministra nos inspirou ao mostrar os avanços do Governo Lula para as mulheres, mas também nos convocou para o desafio de 2026: eleger um Congresso que seja de fato nosso aliado. Saímos daqui fortalecidas e com a certeza de que a luta pelo enfrentamento à violência em todos os seus âmbitos e por mais direitos passa necessariamente por estes momentos coletivos de debate e união”, disse.
Representação de mulheres no poder
Já na abertura do evento, a ministra Márcia Lopes destacou a importância das eleições de 2026 para garantir as conquistas em defesa dos direitos das mulheres. “ Precisamos eleger mais vereadoras e deputadas para somar na luta contra as violências e o ano que vem todas devem pensar bem em quem votar para garantir o que foi conquistado até aqui e avançar cada vez mais”, declarou.
No evento, foram debatidos temas como enfrentamento à violência de gênero, autonomia econômica, participação política, igualdade e outras pautas prioritárias para as mulheres. “ Foi um momento importante porque eu ouvi as necessidades das mulheres de Londrina que é uma cidade que sempre foi pioneira na luta em defesa dos direitos das mulheres. Queremos que a cidade não tenha mais feminicídios, e isso depende do poder executivo, legislativo e judiciário. Já conversei com o prefeito para que a cidade tenha uma secretaria da mulher atuante e se restabeleça nesta área”, declarou a ministra.
Ampliação da Lei 14.717/2023
Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios.
A Lei 14.717/2023, sancionada recentemente pelo presidente Lula, foi um dos principais temas abordados durante o evento. Com a decisão, fica garantido o pagamento de um salário mínimo mensal aos filhos e aos dependentes menores de 18 anos de idade na data do óbito de mulher vítima de feminicídio, desde que a renda familiar mensal por pessoa seja igual ou inferior a um quarto do salário mínimo. O direito é igualmente assegurado aos filhos e dependentes de mulheres transgênero vítimas do mesmo crime. Pela lei, o autor ou partícipe do feminicídio não pode, em nenhuma hipótese, receber o valor em nome da criança.
A socióloga e fundadora do Neias – Observatório de Feminicídios Londrina, Silvana Mariano, usou a tribuna para falar sobre a necessidade da ampliação da lei. Segundo ela, o benefício deve atender também mulheres sobreviventes de feminicídios e seus filhos. “ Uma parcela das mulheres vítimas de violências são candidatas a se tornarem deficientes, e seus filhos não se encaixam nesta lei. Nossa luta se amplia para a necessidade da criação de políticas de restituição de direitos e da criação de editais para ajudar nas atividades de pesquisas dos observatórios de feminicídios do país”. disse
No final do evento, a ministra Márcia Lopes disse ao Portal Verdade que todas as solicitações relatadas no encontro serão apresentadas para os setores responsáveis. “ Eu anotei todas as demandas e vou encaminhar para oito ministros de órgãos responsáveis por cada pasta e acompanharei cada uma delas”, finalizou.
Elsa Caldeira - Jornalista formada pela UEL. Tem pós-graduação em Comunicação Popular Comunitária/UEL, é apresentadora do Programa Aroeira da rádio UEL/FM, assessora do Coletivo de Sindicatos de Londrina e diretora executiva do Portal Verdade.












