Trabalhadores estão afastados para tratamentos médicos ou foram demitidos pelas empresas terceirizadas. Não foram realizadas novas contratações
Um professor da rede estadual de ensino, que prefere não se identificar por receio de retaliações, procurou o Portal Verdade para relatar que o Colégio Estadual Cívico-Militar Hugo Simas, localizado no centro de Londrina, o Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, na zona Sul, e o Colégio Estadual Dom Geraldo Fernandes, em Cambé, estão sem merendeiras, inspetores e auxiliares de limpeza.
Segundo o professor, há casos de funcionários que estão afastados por atestado médico e outros que foram demitidos pelas empresas terceirizadas responsáveis pela prestação dos serviços. Porém, não foram realizadas novas contratações até o momento, causando o acúmulo e remanejamento de funções.
“Exemplo de inspetora que vai para a cozinha ou a auxiliar de serviços gerais está assumindo a cozinha e dessa forma atrapalhando ou sobrecarregando os funcionários”, diz.
Em mensagem enviada em um grupo de WhatsApp formado por professores de um dos colégios a qual a reportagem teve acesso, a direção solicita aos docentes que finalizem a aula “uns minutos antes” para a organização da sala.
Ainda, é exigido que os professores “cobrem” dos estudantes ajuda na limpeza e organização do espaço, o que inclui tarefas como enfileirar as carteiras, fechar as janelas, apagar o quadro, desligar o ventilador e retirar o lixo.
“Se todos colaborarem, supervisionando e cobrando essas questões dos alunos, o colégio certamente ficará bem melhor”, finaliza o comunicado.
Atualmente, o Paraná conta com 45 mil funcionários de escola, sendo que 30 mil são terceirizados e 15 mil concursados, ou seja, o número de contratos terceirizados é o dobro do que o de estatutários.
A redação solicitou o posicionamento da SEED (Secretaria Estadual de Educação) e aguarda retorno.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











