Em 2025, o programa atendeu aproximadamente 700 tutores e mais de 10 mil animais em toda cidade
Tutores beneficiados pelo programa “Banco de Ração”, implantado por meio de lei municipal em 2018, relataram mudanças na qualidade do alimento.
De acordo com queixas recebidas pelo Portal Verdade, os sacos de ração distribuídos especificamente para gatos têm apresentado forte odor, chegando a afastar os animais assim que sentem o cheiro.
“É um cheiro horrível, que dá ânsia. Eu até comparei com o cheiro de óleo diesel. Os gatos não gostam do cheiro, quando eles sentem, já se afastam”, conta uma das tutoras que há mais de 40 anos resgata animais abandonados em Londrina.
Atualmente, ela cuida de 10 gatos e cachorros em sua casa. Além dos pets que abriga, a tutora que prefere não se identificar, também alimenta gatos e cachorros em situação de rua com a ração fornecida pelo Banco.
“O Banco de Ração é muito importante, sem ele eu não teria como sustentar esses animais”, diz.
Ainda, de acordo com ela, houve alteração na marca do produto, antes eram distribuídos pacotes da Native, porém na última busca, foi entregue saco da Snuk.
“Achei que pudesse ser só um pacote, mas não, acabei de abrir outro e é a mesma coisa, não tem diferença. A ração da última vez que eu peguei, estava normal, da marca Native, os gatos comiam muito bem, agora essa última, mudou e eles não chegam nem perto”, acrescenta.
No varejo, as marcas apresentam uma diferença de valor significativa: enquanto pacotes de 15 kg da marca Snuk são comercializados entre R$ 60 e R$ 80, os sacos da Native, com o mesmo peso, variam de R$ 95 a R$ 150.
Desde 2024, o “Banco de Ração” é coordenado pela CMTU, via núcleo do Bem-Estar Animal. Antes quem se responsabilizava era a SEMA (Secretaria Municipal do Ambiente).
Até dezembro do ano passado, a Sema era responsável por adquirir as rações, enquanto a CMTU cuidava de toda a operação, do cadastro e da distribuição. A partir deste mês, a aquisição das rações também passou a ser feita pela própria Companhia.
O que diz a CMTU
Questionada pela reportagem se houve alguma mudança na marca, a CMTU se limitou a dizer que a compra das rações fornecidas pelo Banco seguem parâmetros que visam atender as necessidades nutricionais dos animais e informou que queixas devem ser encaminhadas à Diretoria de Bem-Estar Animal. Confira posicionamento na íntegra:
Todas as rações distribuídas são adquiridas por processos licitatórios, que contém regras rígidas de exigências que atendam as necessidades nutricionais dos animais, de acordo com recomendações veterinárias. Em caso de reclamação quanto a qualidade da ração, a orientação para o tutor é entrar em contato imediatamente com a nossa Diretoria de Bem-Estar Animal e abrir um protocolo.
Atualmente no programa Banco de Ração são contemplados 10.306 animais e, em 2025, foram distribuídos mais de 228.000 Kg de ração. Atualmente, a ração é entregue, em média, a cada 3 meses. Sendo 7,5 Kg por cão e 3,7 Kg por gato.
Para participar do programa, o tutor precisa possuir o CadÚnico ou ser Protetor Independente – neste caso, a pessoa acolhe animais em situação de vulnerabilidade, oferece um lar temporário e depois os coloca para adoção responsável. Em ambos os casos, os interessados devem comparecer na sede da CMTU e preencher o formulário próprio.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











