Mais uma vez, em menos de um ano, EUA e Israel, numa ação covarde e ilegítima, atacam e declaram guerra ao Irã. Covardia, pois os dois países estavam decidindo ainda, algumas horas antes, sobre um acordo de paz, e os enviados para mediar o acordo haviam declarado que avanços estavam ocorrendo.
Mesmo assim, o ataque foi autorizado de forma covarde. Ilegítimo, pois não havia qualquer possibilidade de ameaça existencial por parte do Irã com relação ao ocidente. A questão girava em torno de uma única indagação: o Irã pode ou não enriquecer o urânio para fins pacíficos? A discussão avançava. Ilegítimo também, pois, segundo a constituição dos Estados Unidos, qualquer declaração e ação de guerra daquele país tem que passar pelo congresso, algo que não foi feito.
Essa covardia e desrespeito às leis internacionais também ocorreu em junho de 2025, na Guerra de doze dias. Acordos estavam sendo fechados; mesmo assim, de forma criminosa, Trump ordenou que o Irã fosse atacado. Atingiram não só parte da infraestrutura de desenvolvimento nuclear, mas assassinaram cientistas, líderes militares e centenas de civis inocentes. Para se ter uma ideia, um prédio de quatro andares no qual morava um cientista foi bombardeado. Todas as famílias que ali moravam, pais, mães e crianças, foram mortos.
Nesse novo ataque, uma escola de meninas foi atingida e mais de uma centena delas foi morta. Apesar de a mídia corporativa ocidental tentar vender a narrativa de que eram “pessoas”, esta mesma mídia tentou, a todo custo, encobrir o genocídio de Israel em Gaza.
Como no ataque anterior, este também teve a característica de decapitação, o Supremo Líder Aiatolá Ali Khamenei, sua filha, genro e neta foram mortos devido ao bombardeio ao Palácio do Governo. Os EUA se tornaram uma nação que assassina, sequestra e prende líderes políticos de outros países contrários aos seus interesses, uma nação criminosa! E o mundo vê tudo isso sem fazer nada! A ONU se tornou uma instituição ineficaz, que só serve para decidir que nada pode ser feito! A barbárie vai aos poucos tomando conta de um mundo permissivo.
É possível pontuar o que temos de novo neste ataque, se o compararmos com a Guerra de doze dias do ano passado, iniciado pelas mesmas nações agressoras contra o Irã:
- A Guerra dos doze dias evidenciou que o Irã não era como as demais nações do oriente médio; sua capacidade de armamento, alta tecnologia de drones e mísseis, incluindo os hipersônicos, fez com que Israel, muito atacada, implorasse por um cessar fogo. O irã concordou diante dos estragos que também havia sofrido, mas antes declarou que não iria parar com seu programa nuclear para fins pacíficos.
- A morte de Ali Khamenei não vai mudar o regime do Irã como querem os EUA. O Irã sabe que vivencia uma ameaça existencial e que a guerra será longa. Apesar de o ocidente negar, a população do Irã está unida contra mais esta ameaça por parte dos EUA e Israel.
- Israel sabe que sozinha não consegue eliminar o Irã; por isso, Netaniahufoi novamente convencer Trump de que o ataque seria necessário. Os EUA são submissos a Israel; por incrível que pareça, os judeus mandam nos Estados Unidos, são eles que financiam as campanhas de Republicanos e Democratas. Aqui o poodle manda no dono!
- Trump também tem seus interesses. Uma nova guerra colabora em muito para que o caso Epstein, no qual é acusado de pedofilia, entre outros crimes, e com muitas provas, seja ofuscado pela mídia, principalmente em ano de eleições para o congresso estadunidense.
- Estima-se que o Irã possua mais de 10 mil mísseis. EUA e Israel não têm a quantidade necessária de armamentos para deter esse número. O Irã revidou atacando infraestrutura militar dos EUA no Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, e o Oriente Médio começa a ferver.
- Não é só a tecnologia armamentista do Irã, como os mísseis hipersônicos, um fator decisivo. A geografia iraniana, um país montanhoso, colabora com os sistemas de defesa. Silos de mísseis estão espalhados por várias cadeias de montanhas, o que dá uma vantagem ao Irã. Além disso, como prometido, o estreito de Ormuz, pelo qual passam20% do petróleo mundial, foi fechado, e o preço do petróleo deve ultrapassar os 100 dólares em breve. A Europa deve começar a sentir a falta do gás natural que importa do Catar, isso vai atingir ainda mais sua economia que não anda bem.
- Do mesmo modo, uma guerra longa pode se tornar um grande problema para Israel, que pediu cessar fogo por não suportar mais ataques na Guerra de doze dias, mas deve também abalar ainda mais a cambaleante economia estadunidense num mundo que se desdolariza a cada dia.
A ameaça à existência do Irã, o assassinato de seu líder supremo, a decadência do império dos EUA e de seu líder esquizofrênico acusado de pedofilia, a desdolarização da economia mundial, a ascensão dos Brics… são elementos que fazem com que esta guerra não seja apenas mais uma. Ela deixa um recado muito claro para o Sul Global: vocês podem ser os próximos! A história nos ensina que um império em decadência é capaz de tudo.

Fábio da Cunha
Professor Dr. Fábio César Alves da Cunha é geógrafo e docente associado do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Londrina UEL. Possui mestrado em Planejamento Ambiental (UNESP), Doutorado em Desenvolvimento Regional (UNESP) e Pós-Doutorado em Metropolização pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Trabalha com geografia urbana e regional, planejamento urbano e ambiental, geopolítica e metropolização.












