Exposição é aberta a população em geral. Oficina solicita inscrição prévia
Nesta terça-feira (3), estreia na Capela Ecumênica UEL (Universidade Estadual de Londrina) a exposição “Visões da Genialidade Cultural Negra” de João Junior.
Graduado em Ciências Sociais pela UEL, João Junior é fotógrafo, diretor e desenvolvido projetos que abordam a construção da imagem negra na contemporaneidade, articulando estética, memória e representação cultural.
Em entrevista ao Portal Verdade, João conta que a exposição “Visões da Genialidade Cultural Negra” parte de uma constatação de que a imagem da população negra foi historicamente construída sob enquadramentos limitadores, frequentemente associados à marginalidade, dor e subalternidade.
“A exposição surge como um gesto de deslocamento dessa lógica. O objetivo é romper com essas representações e afirmar a cultura negra a partir de sua potência criativa, intelectual e estética. Trata-se de propor outras imagens, outras narrativas e outras referências”, explica.
Segundo ele, outra motivação é contribuir para a ampliação da visibilidade de artistas negros. “Ainda que essa seja uma dimensão parcial do projeto, ela é significativa, pois fortalecer redes e espaços de circulação para essas produções também é uma forma concreta de enfrentar desigualdades no campo artístico”, pontua.
Além da idealização de João Junior, a exposição conta com aproximadamente 20 profissionais, entre artistas e equipe técnica. O projeto foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Ministério da Cultura.
A mostra é organizada pelo NDPH (Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica) da UEL e apoiada pelo 3º Festival das Diversidades. A exposição permanece aberta à visitação até 31 de março nos horários das 8h às 12h e das 14h às 18h. A entrada é gratuita.
A metáfora do tribunal
De acordo com João, em seu primeiro ciclo, a exposição foi estruturada como um espaço de investigação, sendo que através das fotografias, o público era tensionado pela “metáfora da suspeita”, ou seja, questionava-se a representação dominante sobre corpos e produções negras, historicamente colocados sob olhar de desconfiança.
Já neste segundo ciclo, parte-se da ideia de que a investigação foi concluída. A proposta, ele conta, é evidenciar como o contexto altera a percepção, o que antes era observado sob suspeita passa a ser reconhecido como produção artística legítima.
“A Capela da UEL se transforma simbolicamente em um tribunal. As imagens, agora enquadradas e emolduradas, deixam de ser vistas como indícios e assumem plenamente sua condição de obra de arte”, assinala.
“Quem não visitou o primeiro ciclo poderá compreender integralmente a exposição nesta nova configuração. Já quem acompanhou a etapa anterior terá a oportunidade de revisitar as mesmas obras sob outra perspectiva, percebendo como a mudança de enquadramento transforma o olhar”, complementa João.

Oficina
Ainda, integrando o lançamento, ocorre nesta terça-feira a oficina: “Narrativa visual e direção criativa em exposições fotográficas – encontro aberto a partir da exposição Visões da Genialidade Cultural Negra”.
A oficina inicia às 17h e segue até às 19h, na Casa do Pioneiro, também localizada no campus da UEL (no Calçadão, em frente à Capela Ecumênica).
Durante o encontro, serão discutidos temas como referência e repertório visual, composição simbólica e estética como discurso. Também será realizada uma visita guiada à exposição abordando narrativa visual e estética como discursos.
A atividade é destinada a estudantes, fotógrafos e demais pessoas interessadas em compreender a fotografia para além da técnica, como linguagem e posicionamento.
As vagas são limitadas e para participar é necessário preencher formulário disponível aqui até esta terça-feira às 13h. Haverá certificação para os inscritos.
As inscrições são gratuitas e priorizam pessoas negras, indígenas e racializadas; pessoas LGBTQIAPN+; pessoas com deficiência; pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica; populações tradicionais e periféricas.
A oficina integra a programação do 3º Festival das Diversidades, que neste ano, oferta uma ampla grade de atividades, iniciando em março e seguindo até agosto (saiba mais aqui).
Para João, a arte tem a capacidade de reorganizar imaginários, tornando-se um potente instrumento na luta antirracista.
“A fotografia, especificamente, é uma ferramenta poderosa porque constrói arquivo, memória e representação. Quando a população negra produz, ela também passa a disputar narrativas. A fotografia pode ser instrumento de denúncia, mas também de afirmação, de complexidade e de estética”, adverte.
Serviço
Exposição: “Visões da Genialidade Cultural Negra” de João Junior”
Período de visitação: de 3 a 31 de março
Horário: 8h às 12h e das 14h às 18h
Local: Capela Ecumênica UEL (campus da UEL)
Entrada gratuita
Oficina: “Narrativa visual e direção criativa em exposições fotográficas – encontro aberto a partir da exposição Visões da Genialidade Cultural Negra”.
Dia: Terça-feira, 3 de março
Horário: das 17h às 19h
Local: Casa do Pioneiro UEL (campus da UEL)
Gratuita
Inscrições via formulário disponível aqui.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












