O evento contou com mais 150 pessoas, sendo 50 delegados de vários movimentos sociais. No total, 24 propostas serão encaminhadas para a etapa estadual
O desmonte de serviços públicos na área da assistência social por parte da Prefeitura de Londrina e a falta de diálogo com o Executivo, tomaram conta dos debates da I Conferência Regional dos Direitos Humanos da Região Metropolitana de Londrina que ocorreu no último sábado (6) no Auditório da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) – campus Londrina.
O principal objetivo do evento foi oportunizar um espaço de diálogo plural, democrático e participativo, tendo em vista a construção de diretrizes para um Sistema Nacional de Direitos Humanos.
Segundo Ismael Frare, representante do Centro de Direitos Humanos de Londrina, o evento contou com mais de 170 inscritos entre delegados de diversas entidades.
“Tivemos debates importantes com a participação de segmentos representativos como lideranças de movimentos sociais, coletivos, igrejas, Ministério Público, comunidade LGBTQIA+, negros, indígenas, entre outras”, ressaltou.
“A grande importância da Conferência é que ela foi organizada totalmente pela sociedade civil, possibilitando o encontro dos movimentos sociais para debater temas de interesse coletivo. Isso fortalece a luta pelos direitos humanos”, destacou a promotora Susana Lacerda, da 24ª Promotoria de Justiça.
Segundo a promotora, o cenário dos direitos humanos em Londrina é grave, principalmente, para as comunidades mais vulneráveis.
“Temos uma população de rua invisibilizada, falta de compreensão com relação aos indígenas, falta de moradia, saúde e educação”, declarou a promotora ao defender que falar em direitos humanos exige um debate mais profundo sobre os temas.
“No caso dos moradores de rua, por exemplo, é preciso compreender que ninguém está nesta situação porque quer, mas sempre tem um relato de abandono, violências, saúde mental, desestrutura familiar e dependência química”, disse Lacerda.
Ainda, conforme a promotora, “ao invés de se investir em ações para tirar essas pessoas das vistas da sociedade, é preciso buscar a reintegração social, olhar sem preconceitos, e respeitar o tempo de cada um”, ressaltou.
Principais eixos debatidos
De acordo com o membro do CDH Londrina, Ismael Frare, o debate foi pautado em temas divididos em seis eixos, sendo: ativação do Conselho Municipal de Direitos Humanos; implementação de políticas públicas no enfrentamento étnico-racial; ações contra a violência policial no município ;garantia ao acesso integral das populações indígenas ao sistema Único de Saúde (SUS); criação de fóruns e observatórios para monitorar as violências no município e região; formação continuada para novas lideranças.
Tendo como base estes seis eixos foram realizados os debates e culminou na elaboração de 24 propostas que serão encaminhadas para a 12ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos no Paraná, que ocorre entre os dias 16 e 17 de outubro de 2025, com local ainda a ser definido.
Já a etapa nacional, acontece entre os dias 10 e 12 de dezembro de 2025, em Brasília.
Moções de repúdio
Ainda, Frare informou que o evento foi marcado pela aprovação de várias moções de repúdio, no âmbito internacional, estadual e local.
“O genocídio em Gaza, a violência policial contra a juventude no Paraná, o desmonte da política social em Londrina em especial aos projetos higienistas aprovados pela Câmara de Vereadores com apoio do prefeito Tiago Amaral”, explicou Frare.
A I Conferência Regional dos Direitos Humanos da Região Metropolitana de Londrina foi organizada pelo Centro de Direitos Humanos de Londrina, Conselho Regional de Psicologia 8ª Região, Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR – Londrina e Práxis Itinerante, programa de extensão vinculado à UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Elsa Caldeira - Jornalista formada pela UEL. Tem pós-graduação em Comunicação Popular Comunitária/UEL, é apresentadora do Programa Aroeira da rádio UEL/FM, assessora do Coletivo de Sindicatos de Londrina e diretora executiva do Portal Verdade.

















