Documentário que estreia nesta terça-feira no Museu de Londrina destaca tradições afro-brasileiras e a memória cultural da cidade
O Museu Histórico de Londrina, abrirá suas portas nesta terça-feira (16), às 19h, para receber a estreia do documentário Iporí: Memórias do Asé Londrinense, que a partir de relatos de líderes religiosos, filhos e filhas de santo e seus descendentes, resgata e enaltece a chegada das primeiras casas de Candomblé na cidade.
Apesar da invisibilidade na formação de Londrina, que celebra em sua narrativa oficial sobretudo pioneiros brancos e europeus, a chegada e florescimento do Candomblé na cidade se dá desde a década de 1950, por migrantes negros vindos de várias regiões do país para trabalhar nas “terras prometidas” do norte paranaense.
O curta, de 22 minutos, constrói um mosaico de memórias e vivências raramente registradas. Entre relatos íntimos e pouquíssimos arquivos familiares e dos espaços sagrados, o filme reconstrói a trajetória dessas casas pioneiras, algumas ainda ativas, outras já silenciadas pelo tempo e evidencia sua importância na paisagem e na cultura londrinense. O documentário também traz contribuições de pesquisadores e pesquisadoras das religiões de matriz africana e da história local, ampliando o entendimento desse legado religioso e cultural.

Paralelamente, o projeto se compromete com a preservação dessas memórias, doando os materiais coletados (entrevistas na íntegra e fotos) ao Museu Histórico de Londrina e apresentando um mapa digital dos terreiros da cidade, gesto que reforça a continuidade e a visibilidade dessas comunidades.
Iporí, palavra iorubá que significa “origem”, guia o filme em sua busca pela matéria primeira das histórias ainda não contadas. Em uma corrida contra o tempo, o documentário celebra o Asé londrinense e presta homenagem aos pioneiros que começam a partir, assegurando que suas vozes permaneçam vivas para as gerações futuras.
O Museu Histórico de Londrina segue fechado para visitação por conta de uma revitalização na estrutura elétrica, que começou em setembro de 2024. Apesar de fechado para o público, o Museu tem sido parte fundamental na preservação e divulgação da memória de populações historicamente excluídas da versão oficial da formação de Londrina e segue apoiando iniciativas e projetos como o Iporí.
O filme foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, do governo federal, em parceria com a Secretaria de Cultura de Londrina, da Prefeitura de Londrina.
Ficha técnica:
Direção: Fran Camilo
Pesquisa: Isabela Cunha e Robson Borges Arantes
Captação de imagem e som: Fran Camilo
Produção: Isabela Cunha e Robson Borges Arantes
Montagem: Fran Camilo e Isabela Cunha
Arte do filme: Rafa Tolújì
Fonte: Tem Londrina











