Segundo padre, que assumiu gestão temporária da unidade, recursos aguardam liberação judicial
O padre, César Braga, nomeado interventor judicial da Casa do Bom Samaritano, em Londrina, publicou um vídeo solicitando doações de alimentos, materiais de limpeza e outros itens essenciais para garantir a continuidade do trabalho desenvolvido pela instituição.
“Precisamos da ajuda de Londrina para salvar esse lindo projeto que há 45 anos acolhe quem mais precisa. Com união e solidariedade, conseguiremos manter viva essa missão”, disse.
O apelo foi divulgado no último sábado (18) em rede social da Arquidiocese de Londrina. A Casa do Bom Samaritano acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade social, incluindo idosos.
Conforme informado pelo Portal Verdade, Braga que é vinculado à Paróquia Nossa Senhora do Carmo, no Jardim Shangri-lá B, assumiu a gestão temporária da Casa após decisão da juíza Gabriela Luciano Borri Aranda, da 1ª Vara da Fazenda Pública.
A intervenção judicial atende um pedido da Prefeitura de Londrina que alega ter encontrado inconsistências financeiras na entidade, o que está sendo apurado pela Controladoria-Geral.
A medida também ocorre após a direção da entidade informar que encerraria os atendimentos no final de setembro por falta de verba.
A instituição informou que há pelo menos dois anos vem tentando negociar um reajuste nos valores repassados pela Prefeitura de Londrina, já que o recurso recebido cobre menos da metade dos custos. A redução nas doações realizadas pela população também agravou a situação financeira da unidade (relembre aqui).
“Tem trabalhadores passando fome”, denuncia Sindicato
Durante coletiva de imprensa realizada em frente à Casa do Bom Samaritano na última quarta-feira (15), o presidente do Senalba (Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Estado do Paraná), Vilson Vieira de Melo, denunciou o atraso no pagamento de salários e verbas rescisórias além da falta de documentação para acesso ao seguro-desemprego e saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
Segundo a entidade, cerca de 70 trabalhadores foram afetados pelas mudanças na gestão. Cerca de 40 foram demitidos, restando 30 funcionários em atividade nas áreas de educação e atendimento a idosos.
Os desligados no final de setembro ainda não receberam as verbas rescisórias, enquanto outros seguem trabalhando sem receber salários.
Os funcionários também reclamam da falta de comunicação com o novo interventor, sem reuniões para explicar como ficará a situação de cada trabalhador (saiba mais aqui).
“Para onde a gente vai?”
Ainda permanecem na Casa, 17 idosos, sendo uma das moradoras Maria Célia Rosa, de 68 anos. Em entrevista à jornalista Elsa Caldeira, ela conta que até chegar a Casa viveu em situação de rua por mais de 50 anos e ressalta o medo de novamente ficar sem um teto.
“Quando eu cheguei me acolheram com carinho e respeito. O medo é aqui fechar e a gente ir para a rua de novo, porque a rua não presta, nunca prestou. Eu sei o que é rua. Eu imploro que paguem as meninas. Elas merecem, saem de casa de manhã cedo com chuva para estarem aqui e cuidar da gente com respeito”, disse.
“Nos últimos dias está complicado, não tem vindo comida da Prefeitura, o que tem ajudado a gente são as doações. Estão pedindo doação para a gente, porque senão a Prefeitura deixa a gente passar fome aqui dentro”, complementa a idosa.
Apesar do fim do convênio com a Secretaria Municipal de Assistência Social, a entidade ainda mantém contratos com a Secretaria Municipal do Idoso e com a Secretaria Municipal de Educação.
“Senhor prefeito, cuida de nós, idosos. Nós merecemos ser cuidados, porque nós somos gente que nem você. Você, prefeito, tem a sua casa, a sua família, o seu lar. E nós temos o nosso lar aqui. Se aqui você deixa acabar, para onde é que nós idosos vamos? Para a rua? A rua não é nosso lugar, senhor prefeito. Nosso lugar é aqui dentro. Olhe por nós e olhe pelos funcionários que merecem receber o salário e ser respeitados”, reforça a moradora.
A intervenção também contempla os Centros de Educação Infantil Nossa Senhora da Fátima e Victória Mazetti Dinardi, mantidos pela Casa. No total, são 200 estudantes atendidos.
As doações podem ser entregues diretamente na sede da instituição, localizada na Rua José Fierli, nº 153 ou por contato telefônico no número (43) 98449-4647.
Confira pedido realizado pelo padre:

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












