SLAM | Corpo e Poesia em Território Marginal terá lançamento para a comunidade no próximo sábado, dia 14
“Três dias sem um creme dentário, três dias sem um sabonete ou sabão / O ódio na veia, vivendo uma vida de cão / Minha esperança era ver meu irmão / É fácil falar de justiça quando não se está dentro de um camburão, algemado pé e mão / Justiça pra mim é o sistema achar uma solução de tirar as peças e as drogas das nossas mãos.”
Este é um trecho da poesia produzido por Gago TH, codinome de um adolescente interno no Centro de Socioeducação 1 (Cense 1) de Londrina, e que integra o livro SLAM | Corpo e Poesia em Território Marginal, resultado do projeto de mesmo nome desenvolvido na unidade pelo produtor cultural Dan Barbosa. Ao longo de seis meses, no segundo semestre de 2025, o projeto ofertou oficinas semanais de poesia marginal, escrevivência, história do slam, escrita coletiva e corpo-performance a cerca de 60 adolescentes.
Aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal.
Do muro pra dentro
Ao longo de seis meses, o projeto SLAM | Corpo e Poesia em Território Marginal envolveu cerca de 60 adolescentes do Cense 1. Desenvolvido pela Território Marginal, produtora independente, com foco em arte-educação, cultura de rua e audiovisual, idealizada por Dan Barbosa. Em parceria com o Slam Blackout, as oficinas partiram da compreensão da poesia falada como prática pedagógica, artística e comunitária.
“A metodologia foi na pegada horizontal, respeitando os saberes e vivência dos adolescentes. Usamos também a metodologia da escrevivência, trazendo a escrita a partir das vivências dos adolescentes, das nossas vivências coletivas, trazendo sempre com muito afeto, respeito e memória para conseguirmos seguir com as nossas oficinas semanalmente”, relata Dan.
Estar atento, ouvinte e interessado no que os adolescentes tinham para dizer garantiu o sucesso do projeto. “Buscávamos construir as atividades de forma coletiva. Nas batalhas, por exemplo, perguntávamos aos adolescentes que tipo de premiação gostariam, o que queriam compartilhar nos encontros e como imaginavam aquele espaço. A escuta das escolhas deles fazia parte da metodologia do projeto”, conta o produtor cultural.
Comunhão
Os encontros do projeto SLAM | Corpo e Poesia em Território Marginal também se estruturaram a partir de uma ética do cuidado. Em um espaço marcado por restrições e rotinas rígidas, os arte educadores buscavam construir momentos de convivência e partilha, onde a palavra, o corpo e o alimento pudessem circular coletivamente.
“Em todos os encontros levávamos lanche para compartilhar. Comer junto também era parte da metodologia: criar um tempo de pausa, de conversa e de vínculo. A pedagoga comentava que muitos adolescentes aguardavam ansiosos pela sexta-feira porque sabiam que aquele também era um momento de encontro”, relata Dan Barbosa.
“Esperança
Você não nasceu aí!
Espera.
Logo você vai sair.
Lá fora a vida é dura,
Você virou cão,
TODOS GRITAM:
— PEGA LADRÃO!
E agora só falta um mês
E logo, logo
Vai chegar a minha vez
Tô aqui sonhando
Finalmente vou gritá:
-Canta meu alvará!
Saudade que machuca o peito,
Não sei te dizer direito, direito,
Mas vivo para te amar.
Aqui dentro fico pensando nela:
— Será que me espera na janela?
— Ou já superou nossa história
tão bela?
Enquanto a flor murcha,
A esperança não morre,
O muleke chora.
(Gabi)
Lançamento extra-muros
O lançamento inicial do livro que leva o nome do projeto, SLAM | Corpo e Poesia em Território Marginal, aconteceu para os autores, dentro do Cense1, no final do ano, com show, dança, discotecagem, exposição fotográfica, batalha de poesia e presença de poetas convidados. Agora, o livro segue seu percurso para além dos muros, ampliando o espaço de circulação dessas vozes.
O lançamento para a comunidade será no próximo sábado, 14 de março, no Canto do MARL (Movimento dos Artistas de Rua de Londrina), a partir das 15h30.
O evento também acontece em parceria com a primeira edição do ano do Slam Blackout, coletivo que tem papel importante na movimentação da cena de poesia falada em Londrina.
Programação
O evento realizado pela Território Marginal e Slam Blackout reúne poetas de londrina, interior de São Paulo, Curitiba para primeira edição de 2026 SLAM | batalha de poesia falada. Durante o evento teremos o lançamento do livro, com distribuição de alguns exemplares. Além disso, contaremos com apresentação da Ballroom Londrina, set do DJ Dan Barbosa e show do MC Gerin, e uma roda de conversa conduzida pelo agente territorial de cultura de Londrina, Dan e a agente territorial de cultura Juuara Barbosa, com o tema “Poesia Marginal e Cultura Ballroom | onde as margens se encontram”. Participam da roda de conversa Kach Miranda (LDN), Majo (CWB), Trava da Fronteira (Foz-PR) e o coletivo Slam Subversão (OUR-SP).
“O evento propõe pensar o corpo, a palavra e a arte como tecnologias ancestrais e contemporâneas de criação, resistência e sobrevivência, reunindo diferentes linguagens e territórios. SLAM | Corpo e Poesia em Território Marginal entende o slam como metodologia educativa que reconhece saberes marginais, incentiva a autonomia criativa e fortalece a dimensão coletiva da palavra”, finaliza Dan Barbosa.
Serviço:
Data: 14 de março
Horário: a partir das 15h30
Local: Canto do Marl
🎟 Entrada: Gratuita
Sobre o projeto:
Produção: Território Marginal e Slam Blackout
Ilustração: Jorge Willian da Silva dos Santos (@_gej0r)
Apoio: Secretaria de Estado de Justiça, Canto do Marl, Slam Subversão, Produtora Metafixa e Ballroom Paraná.
E-mail: marginalterritorio@gmail.com
Instagram: @territorio.marginal
Fonte: Assessoria de Imprensa












