Evento acontece em meio a ofensiva contra os direitos humanos na cidade. Discussões serão levadas para etapas estadual e nacional
Neste próximo sábado (06), Londrina sedia a I Conferência Regional dos Direitos Humanos. Com o tema geral: “Por um Paraná mais justo: garantia de direitos, democracia, participação popular e enfrentamento dos retrocessos”, o encontro inicia a partir das 14h, no Auditório da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) – campus Londrina.
O evento é organizado pelo Centro de Direitos Humanos de Londrina, Conselho Regional de Psicologia 8ª Região, Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR – Londrina e Práxis Itinerante, programa de extensão vinculado à UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Segundo Ismael Frare, membro do Centro de Direitos Humanos de Londrina, o principal objetivo é oportunizar um espaço de diálogo plural, democrático e participativo, tendo em vista a construção de diretrizes para um Sistema Nacional de Direitos Humanos.
“O que motiva essa Conferência na região metropolitana é a percepção de que, diante das graves violações dos direitos humanos que temos visto no cenário nacional, precisamos debater acerca dos direitos fundamentais que têm sido negligenciados e, ao mesmo tempo, reconhecer que existem muitos atores sociais lutando e resistindo em nossa região”, diz.
“Queremos reunir essas forças para debater sobre a garantia de direitos e sobre os desafios para a democracia e a participação popular. Interessante notar que o tema reconhece e aponta a necessidade de enfrentarmos os retrocessos dos últimos tempos”, acrescenta Frare.
Segundo a liderança, a programação inicia com inscrições e credenciamento, seguidas de uma fala de abertura e divisão dos participantes em grupos para a discussão e aprovação de propostas, de acordo com eixos temáticos (confira abaixo). No encerramento, haverá uma plenária, na qual as propostas levantadas pelos grupos serão lidas e serão eleitos delegados para as próximas fases do evento.
A 12ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos no Paraná ocorre entre os dias 16 e 17 de outubro de 2025, com local ainda a ser definido. Já a etapa nacional, acontece entre os dias 10 e 12 de dezembro de 2025, em Brasília.
De acordo com Frare, os debates irão subsidiar as discussões nas próximas etapas do evento. “Estamos fazendo contato e convocando entidades envolvidas em diversos temas, como: população de rua, saúde, juventude, antirracismo, moradia, violência policial, migrantes e refugiados. Queremos que seja um momento de sentarmos em roda, compartilhar das nossas lutas e propormos um enfrentamento corajoso”, assinala.

A Conferência é aberta para toda a população: entidades, organizações e coletivos que quiserem se participar, poderão fazer a sua inscrição como delegados até o próximo dia 5 de setembro através do formulário disponível aqui. Quem quiser acompanhar e não tiver vínculo com nenhuma entidade, poderá se inscrever como observador. Também será possível se inscrever na hora do evento.
Para Frare, a realização da Conferência é “extremamente necessária”, principalmente, considerando o avanço de projetos de lei higienistas, que ferem os direitos humanos pela Câmara Municipal de Londrina (saiba mais aqui).
“A Câmara de Londrina tem aprovado projetos que são verdadeiras aberrações, demonstrando o seu desconhecimento da realidade e mostrando sua incapacidade de apresentar respostas efetivas para a resolução dos problemas. Desconhecem que a maioria da população em situação de rua, violentamente discriminada, está nessa situação pelo desemprego. E o que eles propõem em relação a isso? Falar de trabalho, emprego e renda em Londrina é falar de direitos humanos também, e nossa Conferência quer reunir nossas forças sociais para fazer frente a essas necropolíticas”, adverte.
O edital de convocação pode ser verificado aqui. Mais informações podem ser solicitadas através do e-mail: cdhlondrina.pr@gmail.com
Ao todo serão 10 eixos temáticos:
1 – Combate à Violência contra Grupos Vulnerabilizados – Mulheres, crianças, adolescentes,
LGBTQIAPN+, povos indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, entre outros.
2 – Enfrentamento ao Racismo, à Discriminação e à Intolerância
3 – Combate à Tortura e à Crueldade
4 – Garantia da liberdade de expressão e do acesso à informação
5 – Proteção dos defensores de direitos humanos
6 – Enfrentamento às violações de Direitos Humanos no mundo do trabalho, em especial nas
práticas empresariais
7 – Combate ao tráfico de pessoas
8 – Direitos Humanos e Segurança Pública – Crime Organizado e Atuação da Polícias
9 – Direitos Humanos e Sistema de Justiça – Acesso à Justiça e Sistema Carcerário
10 – Enfrentamento à Violência de Gênero

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











