7ª Parada Cultural LGBTQIA+ de Londrina também reivindicou maior inclusão e garantia de direitos
Neste domingo (7), a comunidade LGBTQIA+ e apoiadores ocuparam as ruas do centro de Londrina para reivindicar o direito às múltiplas formas de existir.
Com o tema “a diversidade faz a cidade”, a 7ª Parada Cultural LGBTQIA+ de Londrina iniciou no Calçadão, por volta das 14h. Uma multidão se concentrou para acompanhar as falas de ativistas e lideranças políticas, como a deputada federal Carol Dartora (PT), que disponibilizou recurso, via emenda parlamentar, para a realização do evento.
“Infelizmente, parte da gestão de Londrina de perspectiva conservadora nega a existência da população LGBTQIA+, o que se torna problema gigantesco. Ocupar as ruas, as universidades, todos os espaços que compõem a cidade no cotidiano é afirmar que estas vidas existem e têm direito às políticas públicas”, disse a parlamentar.
De maneira uníssona, os discursos destacaram a necessidade de combater a LGBTfobia e garantir maior inclusão e respeito a este segmento da população que sofre múltiplas violências.
Londrina é a 5ª cidade mais violenta para população LGBTQIA+ no Paraná. Segundo dados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Londrina já contabilizou 54 casos de violência contra pessoas LGBTQIA+ em 2025. Em todo Paraná, foram contabilizadas 1.640 violações de direitos até setembro, com 231 denúncias. Em 2024, o estado somou 2.230 casos e 291 denúncias (saiba mais aqui).
Entre as demandas, os representantes pontuaram a urgência de estabelecer ações afirmativas para a população trans nas universidades, além de ampliar as oportunidades no mercado de trabalho.
O ato foi organizado pela FLAPT!, produtora londrinense voltada à defesa dos direitos humanos e à difusão da cultura para regiões periféricas da cidade em parceria da ONG D.O.C.Ê.
Para Guilherme Pinho, presidente da ONG D.O.C.Ê, o evento superou as expectativas. “O balanço é excepcional, muito mais do que a gente imaginou. A gente estava sem fazer a edição na rua há muitos anos, então, perdemos um pouco a noção de público, se iam gostar ou não, mas a prova está na rua, com quarteirões lotados, com muita alegria, todo mundo feliz, foi demais”, avalia.

Neste ano, a Parada voltou ao formato de passeata como foi nas edições de 2017, 2018 e 2019. Conforme informado pelo Portal Verdade, a manifestação estava marcada para o dia 30 de novembro no Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, o Buracão, mas a organização optou em adiar para este domingo, após a imposição de excessivas medidas burocráticas por parte da Prefeitura de Londrina e outros órgãos, inviabilizando a ocupação do espaço (relembre aqui).
“É muito importante ocupar as ruas, traz total visibilidade para as pessoas, traz a dimensão da nossa comunidade, da nossa população perante aos olhos da cidade. Também para lembrar para todos os manifestantes que estavam presentes, os que acompanharam pelas redes sociais que a rua é um ambiente, é um espaço que pode e deve ser ocupado por nós não só para locomoção, mas também como espaço político, um espaço de manifestação. um espaço de protesto, um espaço de alegria, de troca e vivência”, observa.
Acompanhados por dois trios elétricos, os manifestantes seguiram até a rotatória das avenidas Higienópolis e Juscelino Kubitscheck, onde permaneceram até às 18h. A programação foi composta por shows, performances e discotecagem.
“Nos queremos vivas”
Somando ao ato unificado “Levante Mulheres Vivas”, convocado em diversas cidades do país neste domingo, a mobilização também contou com protesto pelo fim do feminicídio, entre outras formas de repressão às mulheres.
“Acho que foi uma união natural com o movimento feminista da cidade, o movimento de mulheres, porque a gente sabe que a misoginia, o machismo também é o pai da homofobia. A gente sabe que a violência parte dos mesmos lugares, então, nada melhor do que juntar esses dois movimentos em um grande ato para passar esse recado chega de feminicídio, chega de homofobia”, assinala Pinho.
Em 2025, Londrina contabilizou mais de 3 mil novos casos de violência contra a mulher. Foram contabilizadas 3.243 novas denúncias de violência de gênero, totalizando 6.432 processos em tramitação. No mesmo período, foram 3.723 medidas protetivas solicitadas, com 2.035 concedidas, e tempo médio de apenas três dias entre o pedido e a primeira decisão judicial.
A cidade também registrou cinco novos casos de feminicídio no ano, um indicador extremo da escalada da violência. Os dados são do “Painel Violência contra a Mulher”, do Conselho Nacional de Justiça e compreende o período de janeiro a outubro de 2025.
Para Pinho, além da semelhança das lutas, a articulação é importante para fortalecer os movimentos sociais da cidade. “Para que a gente possa estar mais perto acompanhando todo tipo de violência e fazendo essas denúncias em conjunto. Então, o evento somou ao nosso e foi lindo, muito importante e esperamos trabalhar de forma unida em outros momentos mais uma vez”, compartilha.

Também durante a manifestação, a Secretaria Municipal de Saúde realizou a testagem gratuita de infecções sexualmente transmissíveis. Segundo levantamento do órgão, em 2024, Londrina foi uma das cidades com maior número de óbitos por HIV.
Segundo Pinho, a estimativa para 2026 é que a Parada permaneça em formato de passeata. “A gente vai continuar nas ruas, a gente está fazendo o balanço, avaliando o que foi positivo, o que precisa melhorar, como a gente pode se fortalecer, mas uma certeza é que a gente fica na rua e 2026 tem uma nova edição”, conclui.


Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











