Se a média de voos mensais registrada no segundo semestre de 2025 no Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, se mantiver no último mês de dezembro, o terminal terá encerrado o ano com um movimento cerca de 10% menor no número de usuários na comparação com 2024. Naquele ano, a Motiva, concessionária que administra o aeroporto londrinense, contabilizou 781.334 passageiros. No ano passado, até novembro, haviam embarcado e desembarcado no terminal local 643.739 pessoas. A média mensal entre julho e novembro ficou em torno de 56 mil passageiros.
O balanço anual da Motiva deve ser divulgado por volta do dia 20 de janeiro, mas os dados levantados até novembro demonstram o resultado de um período difícil para o aeroporto de Londrina. Apesar do alto investimento em obras de modernização, incluindo a ampliação da pista e do terminal, a construção de fingers e os sistemas de navegação ILS e ALS, o número de voos para a cidade foi reduzido, impactando diretamente no fluxo de passageiros. A maior parte das obras foi entregue em janeiro de 2025, melhorias que consumiram cerca de R$ 200 milhões e elevaram a capacidade do aeroporto para três milhões de passageiros ao ano.
Mas ao contrário de fomentar as atividades aeroportuárias no município, a reforma do terminal mostrou-se insuficiente para estimular as operações das empresas aéreas, que em razão de dificuldades financeiras, reformularam suas malhas viárias, enxugaram custos e ao longo de 2025 reduziram voos com origem e destino a Londrina. O reflexo da reestruturação das companhias aparece nos relatórios mensais da Motiva. De janeiro a novembro do ano passado, 643.739 passageiros haviam embarcado e desembarcado no aeroporto local. No segundo semestre, a média foi de 56.908 usuários. Se essa tendência se confirmar, o balanço final da concessionária deverá computar em torno de 700,6 mil passageiros em todo o ano de 2025.
Venda
Em novembro, a Motiva anunciou a venda de 100% da sua plataforma de aeroportos, um total de 20 terminais, para a Aeropuerto de Cancún, uma subsidiária do Grupo ASUR (Aeroportuário del Sureste), que opera nove aeroportos no México e em outros sete países na América Latina. O valor da transação foi de R$ 11,5 bilhões, sendo R$ 5 bilhões em equity pelas participações acionárias da companhia nos ativos portuários e R$ 6,5 bilhões em dívidas líquidas. Segundo a Motiva, a venda faz parte do plano estratégico da companhia, que previa a otimização de seu portfólio de serviços, iniciada em 2023.
Embora o resultado isolado de Londrina não seja muito positivo, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) comemorou os resultados do último mês de novembro e destacou o desempenho das movimentações aéreas na Região Sul do país. Depois de um aumento histórico em outubro, disse a agência reguladora, em novembro o setor manteve o ritmo de expansão. Os aeroportos do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul somaram 2,38 milhões de passageiros entre embarques e desembarques. No acumulado de janeiro a novembro, 24,3 milhões de passageiros circularam pelos terminais dos três estados, alta de quase 20% sobre igual período de 2024.
Na comparação mensal, novembro de 2025 também superou novembro de 2024 em 17,6%. No penúltimo mês de 2024, o resultado havia sido de dois milhões de embarques e desembarques nos terminais do Sul do país.
Porto Alegre lidera
O Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), com 6,55 milhões de passageiros entre janeiro e novembro do ano passado, liderou o ranking no Sul, volume que corresponde a 26,9% da movimentação regional. Na sequência, estão o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (PR), com 5,49 milhões de usuários (22,6%), e o Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis (SC), com 4,50 milhões de passageiros (18,5%). Juntos, os três terminais respondem por cerca de 70% do tráfego aéreo da Região Sul do país.
Mas a Anac também destacou os resultados registrados em aeroportos de perfil regional e turístico, como Navegantes (SC) e Foz do Iguaçu (PR). Cada terminal movimentou cerca de dois milhões de passageiros entre janeiro e novembro passado. A agência reguladora apontou ainda os aeroportos de Maringá (784,8 mil), Londrina (641,1 mil, nos registros da Anac), Chapecó (578,8 mil), Joinville (485,5 mil) e Cascavel (416,7 mil) pela sua importância na região.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os dados mais recentes confirmam uma tendência. “A aviação no Sul mantém um ritmo consistente de crescimento, impulsionado pelo turismo, pelos negócios e pela integração regional, o que confirma o aquecimento da nossa economia e o acerto das políticas do governo federal para o setor”, afirmou o ministro, em matéria veiculada pela Agência Brasil.
Fonte: Portal Bonde











