Plano prevê ato na ALEP, na retomada das atividades parlamentares, para cobrar pagamento da data-base
No último dia 6 de dezembro, a APP-Sindicato (Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Paraná) promoveu assembleia estadual extraordinária remota. No encontro, educadores da rede estadual de ensino aprovaram um calendário de mobilizações para o início de 2026 (confira abaixo).
Além de discutir as estratégias de luta para o primeiro trimestre do próximo ano, visando dar continuidade às ações em defesa da escola pública e melhores condições de salário e trabalho, a categoria também avaliou as articulações realizadas em 2025.
“2026 é um ano de eleições gerais o que impõe um calendário mais curto para aprovações de leis que garantam recomposições das nossas carreiras ou salários, assim, nós reunidos em assembleia fechamos o ano, avaliando as lutas travadas em 2025 mas já nos organizando para iniciar 2026 fazendo as lutas necessárias que nos garantam as recuperações salariais do período”, pontua Walkiria Mazeto, presidenta da APP-Sindicato.
A liderança destaca as campanhas contra o assédio e metas abusivas impostos pela SEED (Secretaria Estadual de Educação), o que tem levado ao adoecimento massivo dos docentes e funcionários de escola.
Em 2024, mais de 10 mil educadores que atuam na rede estadual de ensino precisaram se afastar do trabalho para tratamento de problemas ligados à saúde mental, de acordo com dados da SEAP (Secretaria da Administração e da Previdência).
O número representa 13% do total de profissionais da educação vinculados à rede estadual, composta por 68.837 trabalhadores. A situação é ainda mais alarmante entre os concursados, atingindo 23,5% do quadro. Entre quase 38 mil docentes efetivos, cerca de 9 mil solicitaram afastamento para cuidar da saúde mental no último ano.
Mazeto cita a morte de duas professoras, em menos de uma semana, Silvaneide Monteiro Andrade e Rosane Maria Bobato. As docentes, que faleceram em junho dentro de escolas estaduais, em Curitiba, ministravam aulas de Língua Portuguesa, uma das disciplinas mais impactadas pelo avanço da plataformização (relembre aqui).
“Perdemos duas companheiras em decorrência de uma política educacional que prioriza os números e metas em detrimento da valorização das pessoas que fazem a educação acontecer todos os dias neste estado”, salienta.
Além da presidenta, professora Walkiria Mazeto, compuseram a mesa, a secretária Geral, Natália dos Santos Silva, e o secretário de Formação Política Sindical e Cultura, Nilton Aparecido Stein. Acompanhe as deliberações da assembleia na íntegra aqui.
Escola não é mercadoria e nem quartel
Mazeto também evidencia as movimentações para barrar mais uma ofensiva em prol da privatização e militarização de escolas estaduais, sendo que parte delas já havia rejeitado os programas no ano passado.
Mesmo assim, em novembro, o governador Ratinho Júnior (PSD) anunciou nova consulta pública para a conversão de aproximadamente 150 colégios aos modelos, que são alvos de diversas críticas por parte de educadores, estudantes, pesquisadores e a APP-Sindicato.
Entre as principais consequências dos programas cívico-militar e “Parceiro da Escola”, o Sindicato tem alertado para a falta de transparência nos contratos e nos critérios de escolha das escolas, restrição à liberdade pedagógica, aumento do autoritarismo no ambiente escolar e precarização do trabalho dos profissionais. Além disso, o Sindicato aponta o desrespeito às instâncias democráticas como conselhos escolares e grêmios estudantis, e indícios de desvio de recursos públicos, que deveriam ser investidos na valorização profissional e na melhoria da estrutura das escolas, não em contratos privados.
“Fomos às ruas, mobilizamos toda a comunidade paranaense para barrar a privatização das escolas, impomos uma derrota sim ao governador e ao Secretário, que só conseguiram vender algumas escolas num golpe dado ao impor o modelo nas escolas onde o quórum não foi atingido”, assinala.
A maioria das escolas rejeitou a privatização imposta por Ratinho, das 96 consultadas, apenas duas aderiram e 14 não registraram quórum. Nos casos de votos insuficientes, a decisão sobre a implementação cabe à própria pasta. A manobra é intensamente criticada pela APP-Sindicato que aponta o desrespeito ao princípio constitucional que estabelece a gestão democrática da educação.
“Foi um ano desafiador, mas de muita luta, luta que nos coloca a esperançar, em enfrentar os desafios do período, mas enfrentar de forma coletiva, juntando forças com a comunidade escolar, saímos fortes por saber que fizemos todas as lutas que o período exigiu e que estamos prontos a fazer as que forem necessárias ainda”, complementa Mazeto.

A luta pela data-base continua
Entre as atividades previstas para 2026, está a convocação de um ato na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa do Paraná, no início de fevereiro. Segundo Mazeto, a intenção é reforçar a cobrança da correção das carreiras e reposições salariais junto aos parlamentares.
No Paraná, servidores vinculados ao poder Executivo estão sem reajuste salarial desde 2017, atingindo perdas estimadas em 47%. O índice é o maior já amargado pela categoria.
Apesar da dívida, no Projeto de Lei nº 248/2025, que institui a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026, o Palácio do Iguaçu não estabeleceu a recomposição para os servidores. Com isso, o governador Ratinho Júnior deixa um calote histórico.
Ao longo deste ano, o FES (Fórum das Entidades Sindicais do Paraná) convocou uma série de mobilizações para tentar destravar as negociações com o governador Ratinho Júnior, que tem se negado a dialogar com o funcionalismo.
Ao não conceder a recomposição, o governador tem desrespeitado a Lei nº 15.512/2007, que estabelece o direito à correção salarial aos servidores com base no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ou seja, na inflação acumulada.
“A não aplicação da data base tem tido reflexo grande entre os trabalhadores da educação, pois somos a categoria com menor salário, considerando todos os demais servidores do Executivo. Assim, os quase 50% de defasagem salarial tem sido sentido nos salários de todos os trabalhadores da educação, principalmente para os aposentados sem paridade, que são hoje, quase 13 mil trabalhadores, entre professores e funcionários”, conclui Mazeto.
Confira calendário de lutas aprovados pela categoria:
Janeiro 2026
23/01 a 02/02/2026 – Acompanhamento da distribuição das aulas.
Fevereiro
02/02 – Ato na abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa.
03 a 04/02 – Dias pedagógicos – debate com a categoria – Edição Pedagógica.
06/02 – Indicativo de Conselho Estadual da entidade.
07/02 – Indicativo de Assembleia Estadual da entidade.
Março
08/03 – Dia Mundial das Mulheres.
Demais ações serão definidas na assembleia indicada para o dia 07/02.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











