Falhas em progressões, adicionais não pagos, descontos indevidos e redução salarial sem explicação são alguns dos problemas relatados
Em janeiro de 2026 foi implantado o sistema de pagamento Meta-4 nas universidades estaduais do Paraná. O Sindiprol/Aduel, entidade que representa docentes da UEL, tem demonstrado preocupação com a medida, indicando seu caráter antissindical e de ameaça à autonomia universitária.
O Meta-4 é um sistema que centraliza a gestão de folhas de pagamento, muitas vezes utilizado por órgãos públicos. “Na prática, retira das universidades o controle direto sobre a gestão financeira e de funcionários”, afirma Ronaldo Gaspar, professor do Departamento Ciências Sociais da UEL e diretor de comunicação do Sindiprol/Aduel.
Anteriormente, as folhas de pagamento eram geridas pelas próprias universidades. Agora, a Secretaria da Administração e da Previdência do Paraná (SEAP) precisa autorizar e validar procedimentos, esvaziando a autonomia administrativa das instituições.
Segundo a entidade, durante o primeiro mês de implantação, o software apresentou diversos problemas. “Nas universidades que já eram geridas pelo Meta-4, como a Uenp e a Unespar, há inúmeros relatos de falhas em progressões, adicionais não pagos, descontos indevidos e redução salarial sem explicação”, conta Ronaldo.
Os alertas também são compartilhados por Lorena Portes, professora do Departamento de Serviço Social da UEL e presidenta do Sindiprol/Aduel. “Quando as universidades perdem o controle na folha de pagamento podem haver cálculos equivocados e incongruências nos salários dos docentes. Isso reacende a preocupação com as progressões e com as promoções”, aponta.
Segundo Lorena, com a perda do controle da folha de pagamento pela UEL perde-se o contato direto para reclamações e reivindicações via Pró-RH.
Ainda, do ponto de vista da mobilização sindical, Ronaldo e Lorena também relatam preocupações, já que a partir da alteração, não será mais possível o desconto das filiações sindicais para docentes com contratos temporários.
Para as lideranças, isso ressoa com uma prática antissindical porque dificulta ainda mais a filiação de professores temporários aos sindicatos.
“Isso é gravíssimo, visto que dificulta a organização de uma parcela da categoria que já está submetida a condições aviltantes de contratação e trabalho”, argumenta Ronaldo.
O acesso a linhas de crédito e demais benefícios também são pontos de atenção. “A SEAP argumenta que eles [professores temporários] não fazem parte da carreira do magistério, então, não seriam servidores públicos de carreira e, por isso, não poderiam ter consignado”, explica Lorena.
“Nós já estamos em conversa com os jurídicos das sete seções sindicais, com o jurídico da Regional Sul do ANDES – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – para que possamos apresentar para a categoria um caminho de enfrentamento”, complementa Lorena.
Além disso, o Sindiprol/Aduel estabeleceu diálogo com o Comando Sindical Docente e com o Fórum das Entidades Sindicais do Paraná com o intuito de criar estratégias. “Teremos assembleia no dia 25 de fevereiro, às 14 horas, no Anfiteatro do CLCH, onde traremos essas questões para discutir com a categoria”, diz Lorena.
Os dirigentes acrescentam que o Sindicato está avaliando as possibilidades de ação jurídica contra o governo do estado. “Esse é o momento em que fortalecemos a importância da organização e mobilização coletiva, pois só assim teremos condições mínimas para enfrentar essa política que afeta a autonomia universitária e a política sindical”, reforça Lorena.
Confira nota emitida na íntegra pelo Sindiprol/Aduel disponível aqui.












