Ato ocorreu em diversas cidades do país
Na manhã desta quarta-feira (27), lideranças do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região realizaram ato em defesa do BB (Banco do Brasil) e da soberania nacional. A mobilização ocorreu na agência localizada no Calçadão de Londrina e buscou responder a ataques da extrema-direita que tem compartilhado informações falsas sobre a instituição financeira.
O ato unificado ocorreu em diversas cidades do país e corresponde a uma deliberação retirada pela categoria durante a 27ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias, encerrada no último domingo (24).
Conforme informado pelo Portal Verdade, postagens que têm circulado nas redes sociais afirmam que teriam sido impostas sanções estrangeiras e bloqueio de ativos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Os conteúdos falsos recomendam a retirada de recursos da instituição financeira.
“A ideia da manifestação é fazer defesa do grande patrimônio que o governo e o povo brasileiro têm que é o Banco do Brasil, diante dos ataques que a extrema-direita tem feito nas redes sociais, falando que o Banco do Brasil vai quebrar devido à intervenção americana com o ataque ao Alexandre Moraes e ao Supremo”, explica Laurito Porto Lira, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região.
Segundo a liderança, desde que as mentiras começaram a circular nas redes sociais, muitas pessoas começaram a procurar o Banco para sacar valores, cancelar cartões de crédito e encerrar as contas.
“O Banco do Brasil é sólido, é o Banco mais seguro do mundo para passar por todo tipo de crise, ele é um grande motor do desenvolvimento do país e precisa ser defendido”, reforça Lira.

Em nota, o Banco do Brasil informou que foram identificadas “publicações inverídicas e maliciosas que disseminam informação em redes sociais, com o objetivo de gerar pânico e induzir a população a decisões que podem prejudicar a sua saúde financeira”, e que tomará ações judiciais após ataques nas redes sociais.
O Banco comunicou também que já acionou a AGU (Advocacia Geral da União) e disse que tomará ações judiciais cabíveis contra os ataques.
De acordo com a instituição, entre os autores da campanha de desinformação estão o deputado federal Gustavo Gayer (PL) e o advogado Jeffrey Chiquini, que defende Filipe Martins, ex-assessor da presidência do governo Jair Bolsonaro (PL). Ambos publicaram postagens difamatórias e contra a soberania nacional.
Também há um vídeo feito por Eduardo Bolsonaro (PL), no qual o deputado federal afirma que “o Banco do Brasil será cortado das relações internacionais, o que o levará à falência”.
Lira desmente a declaração: “O Banco do Brasil é a instituição que praticamente ajuda todo o comércio exterior do país. Então, as grandes transações para o exterior são feitas pelo Banco do Brasil. O Banco do Brasil, no mínimo, tem uma agência em cada capital e tem vários postos de atendimento mundo afora. Fora que o Banco do Brasil também possui bancos controlados por ele no exterior. Por exemplo, nos Estados Unidos tem o Banco de Miami e na Argentina tem o Banco Patagônia. Também concentra o maior volume de crédito para as operações rurais, não só para o PRONAF [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar] mas também para a agroindústria e para o segmento agro”, assinala.
Durante o ato, Lira leu discurso em defesa do Banco.
Acompanhe texto na íntegra abaixo:
Companheiras e companheiros, amigas e amigos,
Estamos aqui hoje para defender uma das instituições mais importantes da nossa história: o Banco do Brasil. Um banco que não pertence a governos ou partidos, mas sim ao povo brasileiro.
O Banco do Brasil nasceu em 1808, ainda no tempo de Dom João VI, e desde então tem atravessado todas as grandes crises do país: guerras, ditaduras, crises econômicas, mudanças de moeda, planos econômicos. E em todos esses momentos, quando o Brasil mais precisou, o BB esteve de pé, cumprindo seu papel.
Foi o Banco do Brasil que garantiu crédito para agricultores colocarem comida na mesa do povo. Foi o BB que abriu portas para micro e pequenos empreendedores realizarem seus sonhos e gerarem emprego. Foi o BB que segurou a economia em momentos de crise, impedindo que nosso país afundasse ainda mais.
Agora, vemos ataques covardes e mentirosos contra essa instituição. Circulam fake news dizendo que o Banco do Brasil vai quebrar, que será isolado internacionalmente. São ataques que não atingem apenas o banco: são ataques contra a economia nacional, contra a soberania do nosso país e contra a vida financeira das famílias brasileiras.
E é preciso dizer com clareza: mentir sobre a solidez de uma instituição financeira é crime. Está na Lei 7.492 de 1986: quem divulga informações falsas sobre bancos pode pegar de dois a seis anos de prisão. Porque isso não é brincadeira, é uma ameaça à vida de milhões de pessoas.
Mas nós sabemos: o Banco do Brasil é sólido, seguro e estratégico. É o maior agente de financiamento da agricultura brasileira. É fundamental no apoio ao crédito popular, ao trabalhador, ao pequeno empresário. Atacar o Banco do Brasil é atacar o Brasil inteiro!
Por isso, a nossa mensagem hoje é simples e direta:
Não mexam com o Banco do Brasil!
O BB é do povo brasileiro e continuará firme, como sempre esteve em sua história de mais de dois séculos.
Defender o BB é defender os empregos, é defender a agricultura, é defender a economia popular. É defender o Brasil!
#OBBÉDosBrasileiros

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












