Ao vivo no YouTube do Portal Verdade, o podcast retorna aprofundando o diálogo entre cultura periférica, política e comunicação alternativa
Hoje, às 19h30, o podcast Pega Visão estreia sua segunda temporada. Apresentado por Marcinho e Balão da Leste, o programa recebe o DJ Samu, produtor musical e uma das principais referências na cena DJ no Paraná. A grande novidade deste retorno é o formato ao vivo, com transmissão pelo canal do YouTube do Portal Verdade.
O apresentador e educador, Márcio Teixeira, conta que essa nova temporada manterá o objetivo de ecoar vozes periféricas de Londrina, com destaque para artistas locais. Uma das principais pautas serão as eleições que acontecem em 2026 para os principais cargos políticos no Brasil. “Nós estaremos focados em fazer a molecada entender sobre politização e democracia”, explica.
Balão, também apresentador da Batalha da Leste, diz que a primeira temporada foi marcada por aprendizados. “A expectativa é manter um papo descontraído e uma educação sincera sobre cultura e política na nova temporada”.
A visão que “os mídia” não mostra!
O Pega Visão surge da necessidade de pautar as culturas de periferia, principalmente as que envolvem o movimento hip-hop, dentro dos direitos humanos, da comunicação alternativa e popular, compartilha Marcinho.
“O nosso podcast tem esse compromisso de fugir do padrão hegemônico de uma comunicação, que é branca, heterossexual, para pessoas ‘cultas’. A gente traz a cultura da quebrada e marginal. O Pega Visão, dentro dos movimentos das Batalhas de Rima é um veículo de humanização dos MCs”, ressalta.
Balão acredita que o rap é constantemente reduzido apenas ao entretenimento ou a violência na mídia hegemônica, ignorando o pensamento crítico e o incentivo à mobilização política que existem nesses espaços.
“Em nossa cultura existem pessoas com diversas formações acadêmicas e lutamos para que isso fique cada dia mais em evidência, pois é uma forma de se proteger em meio a uma cultura tão marginalizada”, diz.
As batalhas de rima compõem são frequentemente referenciadas no podcast, aprofundando os conhecimentos sobre a cultura hip-hop. “Eu vejo o Pega Visão como a continuação do microfone da batalha, só que em outro formato. A ideia é a mesma: dar voz pra quem quase nunca é ouvido e transformar vivência em debate”, afirma Balão.
As pautas escolhidas para o podcast são políticas, culturais, relacionadas à vida dos convidados e ao quanto o hip-hop e a cultura periférica transformaram suas vidas, segundo Marcinho. “A mensagem é sempre essa: a educação através da cultura”, salienta.
Primeira temporada
Para os apresentadores, a primeira temporada do Pega Visão foi marcada pelo alcance a novas pessoas e ao se firmar como um espaço para divulgação da cultura periférica.
Marcinho também relembra episódios marcantes do programa e destaca a força dos encontros proporcionados pelo Pega Visão. Entre eles, cita a participação dos atores Brenda Lígia e Digão, que estiveram em Londrina para gravar a série Na Batalha e compartilharam experiências que, segundo ele, ultrapassaram o contexto local.
“Eles [Brenda e Digão] comentaram que o que encontraram aqui em Londrina levarão pelo Brasil todo”, afirma.
O apresentador menciona, ainda, a passagem de Hosken, hoje um dos nomes mais comentados da cena, que atualmente circula pelo país com o projeto Sua Rima no Meu Beat.
“Estamos criando um lugar para a cultura londrinense de memória, expondo que ela existe e que ela está em lugares, que às vezes, Londrina não conhece”, pontua o educador.
O Portal Verdade e como “furar a bolha”
A parceria entre o Portal Verdade e o Pega Visão se construiu de forma natural, reforçando a afinidade entre os dois, comenta Marcinho. Segundo ele, além de oferecer as condições físicas para a realização do programa, o Portal se consolida como um veículo que dialoga com a mesma linguagem do Pega Visão: a do trabalhador, da periferia e de quem luta por direitos. “É o que o movimento hip-hop faz todos os dias”, resume.
Para Balão a parceria entre o Pega Visão e o Portal Verdade proporciona estrutura, credibilidade e alcance ao podcast. “Fortalece o projeto sem tirar a identidade popular e independente do Pega Visão”, aponta.
Marcinho reforça a importância de “furar a bolha” por meio da humanização das histórias. Ele cita como exemplo a reação da própria irmã após assistir ao primeiro episódio, com o convidado Damião Mili Anos, quando percebeu o potencial pedagógico do conteúdo. “Ela me ligou dizendo que isso precisava passar nas escolas, porque a história do Damião é uma história de vida”, relata.
Para ele, ao humanizar pessoas da cena periférica e da cultura hip-hop, o programa consegue revelar a verdadeira função do movimento, que surgiu como forma de ecoar vozes das periferias e permitir que elas expressem o que está acontecendo em seus territórios.











