A Secretaria de Obras está fazendo a limpeza das áreas mais críticas do sistema de drenagem do Lago Igapó 2 na tentativa de minimizar os impactos causados pelas chuvas – que se tornam mais frequentes com o início da primavera – nas vias que margeiam o lago na Zona Sul de Londrina. Nesta quarta-feira (10), a reportagem foi até o Aterro do Lago Igapó, ponto em que os trabalhos estão concentrados no momento, para entender a opinião de quem enfrenta os efeitos dos alagamentos na prática.
Administradora de um restaurante na Rua Professor Joaquim de Matos Barreto, Yasmin Monique Lima de Souza, 30, explica que os alagamentos já são considerados normais por quem vive na região, já que ao menos duas vezes por ano a água sobe e atinge comércios e residências. Há 12 anos na mesma rua, eles optaram por alugar outro espaço há cerca de sete anos em um trecho mais alto da rua por conta do problema. Entretanto, o transtorno continua.
Ela relata que já viu a água chegar a quase três metros de altura em dias de chuva mais volumosa, cobrindo os carros estacionados na rua. “As pessoas perdem muitas coisas porque a água entra dentro de casa”, afirma, detalhando que os casos são mais frequentes nos meses de setembro e março, o que já coloca todo mundo em estado de alerta. “Quando o lago começa a subir, a gente já vai tirando as coisas da rua”, explica.
Ela garante que todos os moradores ficam atentos ao nível dos córregos quando começa a chover, já que a água sobe de repente. “Você acha que vai baixar o nível, mas na hora que vê já está inundando tudo”, lamenta. Além disso, ela afirma que a prefeitura não costuma fazer a limpeza dos galhos e folhas que se acumulam e acabam entupindo as tubulações, impedindo o fluxo da água.
Souza também afirma que em mais de uma oportunidade eles precisaram interromper a entrega de marmitas por conta da água, já que era impossível o entregador fazer a retirada dos pedidos. “Só traz prejuízo para a gente”, opina.
Sem prazo para conclusão
Nesta quarta-feira, por volta das 9h30, a equipe que estava no local para fazer a limpeza avaliava como fazer a retirada dos resíduos do fundo do córrego Ribeirão do Cambé com auxílio da escavadeira. Uma parte do córrego já tinha passado pela limpeza, mas o outro trecho, próximo à rotatória das avenidas Maringá e Ayrton Senna da Silva, contava com uma moita de bambu, o que dificultava o acesso do maquinário.
Em nota, a Prefeitura de Londrina disse que não há prazo estabelecido para a conclusão dos trabalhos. Os resíduos retirados do córrego foram depositados nas margens e devem ser encaminhados para o CTR (Centro de Tratamento de Resíduos) de Londrina.
O proprietário de um estabelecimento comercial na Rua Professor Joaquim de Matos Barreto, que prefere não se identificar, garante que a limpeza dos córregos pode apenas ajudar a minimizar os impactos, mas ele acredita que o problema vai seguir atrapalhando a vida de quem mora ou trabalha na região.
Nos últimos registros de alagamento, ele afirma que a água chegou a atingir o terceiro degrau da escada de acesso ao estabelecimento. Mas em outros anos, segundo o empresário, aconteceu de a água inundar o local, fazendo com que ele perdesse grande parte dos móveis e equipamentos de trabalho.
Ele garante que não está “desmerecendo” a tentativa da prefeitura de trazer uma resposta ao problema, mas opina que apenas o desassoreamento completo dos lagos 1 e 2 poderia trazer resultados positivos e definitivos. Na visão dele, essa seria uma obra “faraônica”, o que dificulta uma ação prática.
Remoção de árvores invasoras e lodo
Além de recolher os materiais que dificultam o fluxo dos corpos d’água, a prefeitura detalhou que outros serviços também estão previstos na manutenção, como a retirada das Leucenas, árvores que não pertencem à flora nativa e prejudicam o desenvolvimento de plantas locais. Essas ações contam com autorização da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente).
“Também estamos removendo todo o lodo, galhos e bambuzais. Com muito cuidado, está sendo refeita a contenção, e será feita uma semeadura de grama para conter os taludes e melhorar o fluxo de água do Igapó 3 até o Igapó 2, reduzindo os alagamentos na região da Rua Professor Joaquim de Matos Barreto. Tudo isso faz parte de um grande projeto de melhoria da drenagem urbana de Londrina”, detalhou Otávio Gomes, secretário municipal de Obras.
Fonte: Portal Bonde











