Grupo tem denunciado o desmonte da pasta e a falta de diálogo com o Executivo
Representantes do Coletivo em Defesa do Fortalecimento da Política de Assistência Social em Londrina, formado por trabalhadores do segmento, usuários e apoiadores não descartam a possibilidade de greve caso o prefeito de Londrina, Tiago Amaral (PSD), não garanta recursos para a manutenção de programas essenciais desenvolvidos pela pasta.
A informação foi compartilhada por Denise Maria Fank de Almeida, professora do Departamento de Serviço Social da UEL (Universidade Estadual de Londrina), representante do Conselho Regional de Serviço Social no Conselho Municipal de Assistência Social e por Lygia Bordonal, assistente social, também membra do Conselho Municipal de Assistência Social e coordenadora de um dos projetos ofertados pela Associação MMA, entidade que atende a população em situação de rua.
“A paralisação dos serviços essenciais está planejada caso o prefeito [Tiago Amaral] não garanta os recursos. Não queremos chegar a este ponto. Estamos tentando diálogo, mas não há abertura. Pedimos que o prefeito olhe para as pessoas que moram no munícipio e mais precisam do poder público”, disse Denise em entrevista ao programa Aroeira na última sexta-feira (17).
Conforme informado pelo Portal Verdade, o grupo tem se mobilizado para denunciar os impactos do corte de quase R$ 17 milhões no orçamento da Secretaria de Assistência Social anunciado pelo Executivo a partir de 2026 (saiba mais aqui).
No mês passado, a Prefeitura de Londrina enviou à Câmara Municipal de Londrina projeto de lei nº 267/2025, que estabelece a diminuição do orçamento da pasta de R$ 134 milhões para R$ 117,7 milhões no próximo ano. O montante representa 12,6% a menos em comparação a 2025.
De acordo com o Coletivo, a diminuição de verba levará ao aumento da exclusão social na cidade, causando também demissões em massa de funcionários que atuam nas entidades assistenciais conveniadas, já que muitas delas suspenderão os atendimentos.

Diversas iniciativas voltadas à proteção social como o Movimenta CRAS e Nova Trilha estão ameaçados de interrupção total a partir do ano que vem. Ainda, segundo Almeida, embora a Prefeitura tenha informado na última segunda-feira (13) que o Programa Migrantes, realizado em parceria com a Cáritas de Londrina, será mantido não foi apresentado qual será a fonte de custeio.
De acordo com a docente, desde o início do ano, o Conselho Municipal de Assistência Social tem tentado uma agenda com o prefeito, mas até agora não teve uma resposta. “A gente está tentando diálogo há muito tempo. A gente usou de várias estratégias. Enquanto Conselho pedimos uma pauta com o prefeito e até agora o Conselho não foi recebido. Então, só estamos chegando nessas medidas extremas por falta de diálogo”, reforça.
“Que o prefeito resolva este problema que é causado por ele mesmo. Já foi sinalizado que há recursos, mas que existem outras prioridades. O desmonte da assistência social é um projeto político, que demonstra descaso e horror aos mais pobres”, ela acrescenta.
Ligia salienta a importância de toda população londrinense somar ao movimento em defesa das políticas assistenciais. “Mesmo se você não for usuário de serviço, esteja com a gente nesses movimentos, nos apoiem. Se a gente realmente fizer greve, por exemplo, será para demonstrar a importância que tem o serviço de convivência para essas famílias e onde vão ficar os filhos no momento que a gente estiver fazendo a greve? E se até tiver corte, com a suspensão dos serviços, onde vão ficar? Nos ajudem, estejam conosco nesse momento que é tão importante”, evidencia.
O Coletivo convocou nova manifestação nesta segunda-feira (20) a partir das 15h, em frente à Prefeitura de Londrina (veja aqui).
O grupo também criou um abaixo-assinado alertando para o desmonte da área. A petição já ultrapassou 2,6 mil assinaturas. Confira aqui.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












