Falta de especialistas, cancelamento de consultas, cirurgias e ausência de informações marcam o início do contrato de R$ 37 milhões com o HEL
Desde o dia 1º de fevereiro o atendimento do SAS (Sistema de Assistência à Saúde do Servidor) passou a ser no Hospital Evangélico de Londrina (HEL) em transferência ao serviço prestado pela Santa Casa de Londrina. A mudança previa o melhor atendimento e melhor infraestrutura, mas, na prática, não é isso que vem acontecendo.
Na última semana, o Portal Verdade recebeu uma denúncia em relação aos atendimentos realizados no SAS. “Maria”, nome fictício, conta que o maior problema é a falta de médicos especializados: “Um clínico geral está fazendo as avaliações para acompanhamento posterior com especialistas que não foram contratados e não tem previsão de contratação”, relata. A fonte prefere não se identificar por receio de represálias.
Ela convive com os problemas de perto: “Minha mãe está em transição de medicamentos para tratamentos de hipertensão e diabetes e meu pai é cardiopata e não tem especialistas para acompanhamento”.
Outras queixas são a falta de equipe de enfermagem, a descontinuidade de atendimentos e cirurgias marcados antes da transição, os telefones de contato estarem desligados e não existirem informações concretas sobre a normalização dos atendimentos.
“Maria” ressalta que os profissionais do SAS também não têm informações: “Eles orientam procurar o pronto atendimento do hospital”. Ela também aponta que nem a direção do hospital ou a gestão do SAS se posicionaram internamente sobre as dificuldades: “Nenhuma informação foi passada para as equipes, todas as informações são que ouvimos pelos corredores”.
Elaine Rodella, diretora do SindSaúde-PR, afirma que não há fiscalização no uso do recurso repassado aos hospitais prestadores. “Não há auditoria feita pelo órgão contratador que é o governo do estado. Parece que o SAS serve mais a atender a outros interessados que não é o funcionalismo”, diz.
“Desde o final de janeiro a categoria está apreensiva com a continuidade dos tratamentos já em andamento ou processos de diagnóstico que estavam em desenvolvimento pela Santa Casa”, conta Elaine.
A liderança acredita que houve a simplificação na transição sem ter um olhar geral sobre as inúmeras demandas e situações que envolvem o atendimento à saúde. “Maria” concorda com Elaine: “Eles simplesmente migraram, mas não se preocuparam com os pacientes”.
Gilson Pereira, diretor do SindSaúde-PR esclarece que com o encerramento do contrato com a ISCAL (Irmandade da Santa Casa de Londrina) e após o pregão eletrônico licitatório, foi firmado um contrato com o HEL no valor de R$37 milhões anuais. “A expectativa era que seriam superados tais problemas no atendimento. Porém esse início de contrato com o HEL é marcado por cancelamentos de consultas e cirurgias, ausência de transparência no processo de transição e problemas primários como ausência de um número exclusivo para acolhimento de dúvidas e agendamento de consultas e exames”, pontua.

Em resposta às queixas, a direção do SindSaúde-PR procurou representantes da SEAP (Secretaria da Administração e da Previdência), que administram o SAS, e são responsáveis pela fiscalização e cobrança do contrato de prestação de serviços pelo HEL. “Solicitamos informações sobre o processo de transição, cópia do contrato de prestação de serviços do HEL e exigindo soluções imediatas para ausência de organização sobre consultas previamente marcadas por servidores que necessitam de especialistas para tratamento de doenças crônicas, bem como suspensão de cirurgias no mês de Fevereiro. Oficiamos os setores responsáveis no dia 11/02 e até o momento não obtivemos uma resposta oficial sobre essa situação”, explica Gilson.
Elaine destaca que os profissionais da saúde atendem diariamente pessoas emocionalmente abaladas, o que exige preparo e um programa institucional de cuidado com a saúde mental das equipes, algo que “o estado do Paraná ignora”.
Além do desgaste psicológico, há riscos físicos decorrentes da insalubridade, da periculosidade e do contato com insumos químicos, somados ao assédio laboral, que estaria se tornando mais frequente.
“A ausência de uma política efetiva de saúde do trabalhador no funcionalismo estadual fere a legislação, já que todo empregador deveria garantir proteção e segurança aos seus servidores”, finaliza a diretora.
Procurado pelo Portal Verdade, o HEL respondeu às denúncias por meio de uma nota de esclarecimento. Confira:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Hospital Evangélico de Londrina informa que, desde 1º de fevereiro de 2026, iniciou o atendimento aos beneficiários do SAS (Sistema de Assistência à Saúde) de forma gradativa, conforme cronograma estabelecido em conjunto com os gestores do sistema.
A transição dos atendimentos está sendo realizada de forma planejada: em fevereiro, foram absorvidos os casos de urgência e emergência; a partir de março, os atendimentos eletivos (consultas e exames) também passaram a ser realizados no hospital, os procedimentos cirúrgicos eletivos terão início em abril.
Todas as dúvidas dos usuários estão sendo sanadas através do contato com os canais de comunicação disponíveis quando solicitados. Para isso, devem ser acionados o fone: (43) 3324-0003; de segunda a sexta feira das 7h às 16h.
O hospital reforça que está cumprindo rigorosamente o cronograma estabelecido no Edital de contratação.
Qualquer questão relacionada a atendimentos anteriores ao período de migração deve ser encaminhada à gestão do sistema.
O Hospital Evangélico é uma instituição certificada, com mais de 75 anos de atuação, possui corpo clínico renomado e profissionais experientes, que atuam no cuidado ao paciente.
Para que seja possível apurar e responder adequadamente às questões levantadas, o hospital solicita informações mais específicas sobre os casos mencionados, como datas, setores envolvidos e dados que permitam uma análise concreta da situação.












