Para que o filiado possa ter direito ao voto, ele deve estar associado há pelo menos três meses. A votação ocorrerá de maneira virtual
Nesta terça e quarta-feira, dias 25 e 26 de novembro, o SindSaúde-PR (Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores do Serviço Público da Saúde e da Previdência do Estado do Paraná) realiza eleições para a escolha de novos representantes que estarão à frente da diretoria estadual, diretorias executivas regionais e conselho fiscal pelos próximos três anos.
O registro das candidaturas ocorreu entre 27 de setembro e 16 de outubro. Disputam o pleito, a chapa 01 – Juntas (os) por nossos direitos e a chapa 02 – Saúde em ação, renovação e luta (confira a composição completa de cada uma das chapas aqui).
Para Giordano Pedro de Oliveira, coordenador geral do SindSaúde-PR, a eleição é fundamental para o fortalecimento da democracia e construção de uma gestão participativa.
“A eleição sindical é muito importante. Na verdade, o sindicato é o que nós temos e mais próximo de uma democracia direta, onde os próprios trabalhadores elegem seus representantes. Então, sempre a eleição de um sindicato é importante porque mostra que a democracia dos trabalhadores está ativa e operante”, observa.
Para que o filiado possa ter direito ao voto, ele deve estar associado há pelo menos três meses. A votação ocorrerá de maneira virtual.
Giordano compartilha que a expectativa é de grande adesão da categoria. “Contamos com a participação de milhares de servidores e servidoras, para que possam exercer o seu direito ao voto democrático, e que eles possam decidir entre as duas chapas que estão concorrendo, qual é a melhor para representá-los nos próximos três anos”, assinala.
Desafios para a nova diretoria
Para a liderança, uma das principais pautas que deve continuar mobilizando o Sindicato é a dívida da data-base. Sem reposição salarial há oito anos, as perdas acumuladas pelos servidores já chega a 50%.
Conforme informado pelo Portal Verdade, os trabalhadores têm denunciado a intransigência da gestão Ratinho, que não tem dialogado com as entidades sindicais. Em reunião realizada no último mês, representantes do FES (Fórum das Entidades Sindicais) não descartaram a deflagração de uma greve geral a partir de 2026 (saiba mais aqui).
Ainda, segundo Giordano, o fim do confisco previdenciário, isto é, o desconto nas aposentadorias de quem recebe até o teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) também é uma exigência dos servidores. O valor corresponde a R$ 8.157,41.
“Também temos a questão dos aposentados, que tem um desconto obrigatório na sua previdência de 14%, ou seja, contribuíram a vida inteira, e ainda tem que continuar contribuindo, juntamente ao arrocho salarial”, adverte.
A implementação de uma nova tabela salarial para os agentes de apoio também segue entre as prioridades do Sindicato. Os agentes de apoio são servidores com ensino fundamental que desenvolvem funções essenciais como zeladoria. O grupo possui o menor salário de todo funcionalismo paranaense. Em média, a remuneração da categoria é inferior ao salário mínimo regional, ou seja, R$ R$ 2.275,00.
Quando comparado aos agentes do quadro de execução, segmento formado por funcionários com qualificação em níveis médio e superior, os últimos reajustes obtidos, em 2023, não foram equânimes. Enquanto alguns receberam 15% de reposição salarial, outros ganharam apenas a correção inflacionária de 5,79%.
Em abril do ano passado, uma audiência pública chegou a ser realizada na ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná) para debater reestruturações no PCCS (Plano de Carreira, Cargos e Salários) dos agentes de apoio (relembre aqui).
Uma nova tabela salarial já recebeu pareceres favoráveis da SEAP (Secretaria de Estado da Administração e da Previdência), Casa Civil e SEFA (Secretaria de Estado da Fazenda), mas até o momento a gestão Ratinho não oficializou nenhuma proposta.
Outra demanda levantada pelos trabalhadores da Saúde é a realização de novos concursos públicos. Em maio, a SESA (Secretaria Estadual de Saúde) anunciou um novo certame com 625 vagas. A expectativa é que o edital seja publicado na primeira quinzena de novembro. O último concurso da pasta foi realizado em 2016. A estimativa do Sindicato é que a área já contabiliza o déficit de mais de 4 mil servidores.
Em julho, o governo Ratinho encaminhou ao poder Legislativo projeto de lei nº 433/2025, que cria 95 cargos comissionados na SESA. À época, o SindSaúde-PR criticou a medida que, além de fragilizar as condições de trabalho, também não é transparente sobre os critérios de seleção e remuneração (veja aqui).
O enfrentamento aos casos de assédio e demais violências no ambiente de trabalho também é uma reivindicação da categoria.
“Também temos o crescimento de casos em assédio moral, assédio sexual, violência no trabalho, falta de pessoal, de concurso público. São vários problemas, mas esses são os principais”, reforça.
As atualizações sobre as eleições do SindSaúde-PR podem ser acompanhadas no seguinte site: https://sindsaudepr.org.br/Default/Eleicoes
“É importante que todas e todos os sindicalizados participarem da eleição. É fundamental o direito ao voto para a democracia, para que o SindSaúde-PR saia cada vez mais fortalecido”, avalia Giordano.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.











