Paraná é o segundo estado com o maior número de estudantes trans matriculados na educação básica
Nesta quarta-feira (8), a partir das 19h30, no Anfiteatro do CESA (Centro de Estudos Sociais Aplicados) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) ocorre trans assembleia pela implementação de cotas trans na Universidade.
A atividade encerra a programação da Jornada pela Visibilidade Trans 2026, que iniciou no último dia 23 de março, ocupando diferentes espaços da cidade.
Em julho do ano passado, a UEL aprovou a criação de um grupo de trabalho para avaliar a possibilidade de implementação de cotas para pessoas trans, travestis, transmasculinas e não binárias em seus processos seletivos.
Ursula Brevilheri, cientista social, doutoranda em Sociologia na UEL e integrante da Frente Trans Londrina, compõe o grupo e avalia que o andamento da pauta está “a todo vapor”.
“Conseguimos ouvir experiências de outras universidades, discutir viabilidade e diferentes modelos, e neste ponto vejo que consolidamos diferentes percepções que certamente serão fundamentais na decisão dos conselhos superiores da Universidade. Seria uma vitória na luta contra as desigualdades, porque é evidente a exclusão que pessoas trans enfrentam no ensino superior”, adverte.
Pelo menos 38 universidades federais e estaduais no Brasil adotam cotas para pessoas trans e travestis na graduação, segundo levantamento da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), mas o acesso ao ensino superior ainda é uma barreira, que inicia já na educação básica, visto que a violência leva a altos índices de evasão escolar.
Dados do dossiê Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024: da Expectativa de Morte a um Olhar para a Presença Viva de Estudantes Trans na Educação Básica Brasileira, da Rede Trans Brasil demonstra que, no Brasil, pelo menos 9 mil estudantes trans estão matriculados em escolas públicas das redes estaduais de ensino.
Tratam-se de matrículas de estudantes com o nome social em 14 estados e no Distrito Federal. Dentre os estados analisados, o Paraná é o segundo com o maior número de matrículas, contabilizando 1.137 alunos, ficando atrás apenas de São Paulo, com 3.451 estudantes.
“Já temos estudos que mostram que 2% da população brasileira é trans, mas certamente não temos ainda essa mesma proporção na universidade. Então, é uma questão constitucional, de igualdade, que certamente viria de encontro contra a marginalização e exclusão do mercado de trabalho”, sustenta Ursula.
Serviço:
Trans assembleia pela implementação de cotas trans na UEL
Dia: Quarta-feira, 8 de abril de 2026
Horário: 19h30
Local: Anfiteatro do CESA – UEL

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Doutora em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero; religião; política e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast independente sobre política na perspectiva de mulheres.












