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Contraf Brasil comemora Plano Safra, mas defende acesso mais fácil ao crédito

Desafio é que a burocracia não seja empecilho para o acesso ao crédito e que os bancos façam as aplicações dos recursos para as mulheres, a juventude e os produtores da agroecologia e do semiárido

O Plano Safra 2024/2025 voltado para a agricultura familiar anunciado pelo presidente Lula, na última quarta-feira (3), trouxe um alívio para os produtores rurais responsáveis por 70% dos alimentos colocados na mesa dos brasileiros, que agora têm esperança de obterem maior acesso ao crédito, com juros menores. O Plano Safra além de ter um valor de financiamento recorde de R$ 76 bilhões para produção de alimentos – valor 6,2% superior ao anunciado na safra passada e o maior da série histórica- traz importantes programas destinados ao setor.

Apesar dos valores e dos programas dentro do Plano Safra serem importantes para o setor, é preciso que o discurso esteja mais próximo da prática e para isso é preciso avançar de fato no acesso às políticas e programas que garantam a inclusão dos homens, das mulheres e da juventude que produzem alimentos no Brasil, entende Josana Lima, coordenadora da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf-Brasil), filiada à CUT.

“ A gente não pode dizer que o plano safra seja insuficiente, mas diante de todos os desmontes feitos no governo anterior com o país voltando ao mapa da fome, a gente precisa ter condições de crédito, de assistência técnica, de infraestrutura para que os nossos agricultores e agricultoras, inclusive os do semiárido e da agroecologia, tenham acesso e possam garantir o aumento dessa produção”, diz Josana.

“Nosso desafio é exatamente fazer com que essas demandas sejam canalizadas lá na ponta. Que a burocratização não seja o empecilho de acesso ao crédito e que os bancos façam as aplicações dos recursos”, complementa.

Na questão da agroecologia, a dirigente da Contraf Brasil, destaca ainda como sendo importante o Ecoforte, que vai promover o fortalecimento e ampliação das redes de agroecologia e produtos orgânicos, com R$ 100 milhões de recursos.

O Plano tem aproximadamente 10 linhas de financiamento de crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ,que tiveram suas taxas reduzidas.

“São aspectos extremamente importantes, como os recursos disponibilizados para a questão da garantia da safra, das compras públicas, a redução da taxa de juros de 3% para a produção de alimentos da cesta básica, como o arroz, feijão, mandioca, legumes, as frutas, o leite, e a gente também ainda o Pronaf Custeio com taxa de juros de 2% para a produção da agroecológica e os produtos orgânicos, onde entram os alimentos como o açaí, o babaçu, a castanha do Brasil, o pequi, o umbu”, exemplifica Josana.

O financiamento de máquinas também é destacado por Josana. Segundo ela, o Mais Alimentos, uma nova linha para financiamento de máquinas de menor porte, com limite de financiamento de até R$ 50 mil e com redução de taxa de juros de 5% para 2,5% ao ano, é importante para algumas regiões, especialmente a do Nordeste.

Segundo ela, os agricultores necessitam de máquinas e ter uma linha específica vai contribuir diretamente para eles consigam um financiamento. Outro destaque no plano apontado por Josana são os novos limites de R$ 35 mil para as famílias, com a nova renda de enquadramento até R$ 50 mil ao ano.

Todos esses recursos apontam para o compromisso e a responsabilidade da entidade em orientar e articular junto aos trabalhadores e as trabalhadoras para que essas políticas sejam disseminadas

A produção de alimento saudável é uma preocupação da dirigente da Contraf Brasil que conta que são os agricultores os responsáveis pelos cuidados com os mananciais e a natureza em geral.

“A gente está vivendo um momento muito delicado com a questão ambiental, passando por várias catástrofes, seja seca ou enchente como a gente viveu na região sul, e isso tende a se ampliar para outras regiões do país, e isso tem nos preocupado. E o plano safra, o que tem a ver com isso? Tem sim, que a gente está lidando com famílias, com homens, com mulheres, que estão lá na roça, produzindo alimento a cada dia e que estão nessa relação direta com o meu ambiente”, conclui Josana Lima.


Fonte: CUT Brasil

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