Com foco na formação teórica sobre os rumos da privatização da educação no Brasil e no mundo, a APP-Sindicato finalizou neste sábado (15), o primeiro curso de formação do ano.
O curso que teve como tema “Política educacional paranaense: a transformação da escola pública em mercadoria” debateu como as empresas, que consideram a educação um balcão de negócios, adentram na estrutura estatal para garantir lucro e como as políticas educacionais do Estado acentuam esse problema.
De acordo com a secretaria de Formação da APP, a formação é fundamental para garantir o embasamento teórico que dará suporte à luta da categoria contra os ataques à gestão pública das escolas paranaenses.
A professora do Departamento de Geografia da UFPR, Carolina Batista Israel, uma das palestrantes do segundo dia da formação, detalha que o curso auxiliará os(as) educadores(as) a dialogar com a categoria com maior efetividade, fundamentando a luta que será empregada nos próximos meses.
“A formação teórica é um processo de sistematização e reflexão daquilo que nós vivenciamos no dia a dia dentro da sala de aula. Ela nunca é puramente teórica, ela é um esforço de sistematizar esse conjunto de experiências que nos permite, a partir desta reflexão, agir e reagir no mundo. Esse processo de formação teórica permite que possamos entender essa relação, as escalas dos fenômenos e essas conexões que às vezes faltam para que possamos fazer os enfrentamentos a esse processo de privatização das escolas”, enfatiza Carolina.
Carolina apresentou em seu artigo como os contratos firmados entre a Secretaria de Estado da Educação (Seed) e empresas como a Microsoft e Google, que oferecem plataformas como Power BI e Classroom, servem como ferramentas de monitoramento e controle pedagógico.
Também fortalecendo o debate sobre o avanço das plataformas no sistema educacional paranaense, a professora doutora Renata Peres Barbosa, também da UFPR, aponta que o espaço de formação é fundamental para refinar os argumentos utilizados pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná.
“Temos visto aqui no Paraná um ataque direto às escolas, aos trabalhadores, aos docentes, ataque àquilo que temos preservado e lutado como direito à educação. Cada vez mais esses ataques vêm revestidos de um discurso muito sedutor e que acabam ocultando os interesses, as reais intencionalidades e isso exige de nós que recorramos sim a um arcabouço metodológico, teórico, consistente e que consigamos nos munir intelectualmente para compreender esses processos que estão cada vez mais usando essa semântica muito sedutora”, completa Renata.
A partir do texto “O lema plataformizar e empreender: a expansão da agenda privatizante e o projeto formativo para a juventude no Paraná”, contido no caderno de formação, a professora doutora Renata Barbosa aponta que as plataformas já evidenciam prejuízos no processo formativo como um todo e na formação da nossa futura geração.
Escola de formação
Com o tema central a “Política educacional paranaense: a transformação da escola pública em mercadoria”, o curso dialoga com a luta da APP contra a privatização das escolas paranaenses, a partir do movimento “Não Venda a Minha Escola”.
Elaborado a partir de uma parceria com a Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e outras universidades públicas, o curso serve como continuidade dos debates sobre o avanço da privatização que ocorre no estado e como as experiências internacionais influenciaram na aplicação do modelo no Paraná.
Ainda na sexta, primeiro dia de formação, os(as) educadores(as) trabalharam pela manhã os temas “O empresariamento da educação: da experiência chilena ao caso paranaense” e “Não Venda a Minha Escola: a transformação da escola pública em mercadoria”.
No período da manhã o curso trabalhou “O empresariamento da educação: da experiência chilena ao caso paranaense”, já no período da tarde a formação abordou os temas: “Não Venda a Minha Escola: a transformação da escola pública em mercadoria” e “Os programas neoliberais e privatistas da Seed/PR”.
O secretário de Formação e Cultura da APP, professor Nilton Stein, enfatiza que a formação é crucial para articular os argumentos da categoria na luta contra a privatização e garantir uma formação teórica acerca do tema.
“Nós entendemos que a formação é de suma importância para conseguirmos manter e conquistar outros direitos. A formação é fundamental para fazer a luta material e a luta por uma sociedade igualitária, justa e humanizada. O nosso caderno de formação da APP-Sindicato trabalha com o empresariamento, a terceirização, ou seja, a venda da escola, algo presente hoje na nossa realidade no Paraná”, explica Nilton Stein.
Já o secretário Executivo de Formação e Cultura da APP reforça que a formação auxilia na luta contra o programa Parceiro da Escola e outras medidas privatistas adotadas pelo governador.
“Nossa turma de formação deste ano tem o papel de discutir como a escola pública é organizada com o seu conceito público, porque avança no estado do Paraná o conjunto do projeto educacional do governo Ratinho Jr que vem privatizando a educação pública. Para além do programa Parceiro da Escola, existem várias outras medidas dentro da educação pública que tem o teor privatizante, assim como as plataformas e todo o método de condução da Seed”, afirma o secretário Executivo de Formação e Cultura da APP-Sindicato, Cleiton Denez.
Fonte: APP-Sindicato