De acordo com Sindserv Londrina, a renovação do quadro de servidores e melhores condições de trabalho serão outras pautas que devem permear as negociações ao longo deste ano
Nesta quinta-feira (27), a Câmara de Vereadores de Londrina aprovou com unanimidade projeto de lei nº 29/2025, que concede reajuste salarial aos servidores municipais. A proposta estabelece 4,17% de recomposição no salário-base. O percentual é calculado com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025.
Fábio Molin, presidente do Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais) de Londrina considera positiva a porcentagem alcançada pela categoria. Ele destaca que, nas últimas cinco administrações, a maioria não concedeu a recomposição da data-base no período regular.
“Dos últimos cinco prefeitos que passaram pela Prefeitura de Londrina, somente dois, é importante deixar isso registrado, que concederam esse direito ao servidor através da negociação salarial no mês da data-base, no mês de fevereiro. Os demais, infelizmente, acabaram empurrando para frente, muitos até não concederam essa recomposição”, salienta.
Para a liderança, a conquista representa o reconhecimento do funcionalismo municipal. Ainda, Molin evidencia o aumento do custo de vida, que tem pesado no bolso dos trabalhadores, e a necessidade de luta constante.
“É um passo muito importante, é uma luta do servidor público conseguir esse reconhecimento de ter recomposto o seu salário, que perdeu a força de poder aquisitivo nos últimos 12 meses. Claro que as expectativas da categoria é o que a gente sente no dia a dia que a inflação é muito maior, mas o índice oficial que foi registrado é em 4,17%. Vemos com uma vitória esse avanço, esse reconhecimento e essa luta de todos os servidores por essa recomposição que tem acontecido nos últimos 12 anos de forma efetiva no salário do servidor público de Londrina”, observa.
A medida, que tramita em regime de urgência, contou com a primeira apreciação na última terça-feira (25). Agora, o texto segue para a sanção do prefeito, Tiago Amaral (PSD).
Os novos valores devem ser pagos a partir de março, com retroativos a fevereiro. “Acreditamos que já no mês de março isso deve estar concretizado e os servidores recebendo então, retroativamente, ao mês de fevereiro, que é a data-base do servidor municipal, esses valores corrigidos”, explica Molin.
Além da remuneração básica, o reajuste incidirá sobre diversos itens como complementação salarial, gratificações por assiduidade, funções de confiança, entre outros benefícios.
“Também conseguimos avançar em alguns outros pontos que compõem o salário do servidor, são mais 13 itens. Claro que nem todos os servidores ganham esses 13 benefícios, mas, por exemplo, o auxílio que todos nós temos de complementação salarial também será reajustado para todos os servidores”, assinala Molin.
“Aqueles servidores que desempenham alguma função específica dentro do seu cargo, que possuem um tipo de gratificação também será reajustado. Isso é muito importante porque como eu tenho dito essa inflação, na verdade, é uma inflação oficial, mas infelizmente a inflação real que é aquela sentida no bolso do trabalhador, no dia a dia do supermercado, ela não é essa inflação. Então, todo o ganho, todo o acréscimo ao salário do servidor é importante para que ele não tenha essa perda do poder de compra do seu dia a dia e prejuízo da sua economia dentro da sua casa”, ele acrescenta.
O reajuste contemplará servidores ativos, aposentados e pensionistas, abrangendo os regimes estatutário, celetista e especial.
Outras pautas
De acordo com Molin, outras duas pautas importantes devem embasar as negociações do Sindserv Londrina com a gestão municipal. A primeira delas é a recomposição do quadro de servidores.
“Ano passado tivemos um grande concurso e agora o trabalho é que essas vagas sejam preenchidas com esses novos servidores. Então, é um trabalho que nós fazendo desde a gestão anterior e temos que continuar nessa nova gestão”, indica.
Outra demanda é a obtenção de melhores condições de trabalho para todo o funcionalismo municipal. “Temos ainda alguns locais que precisam ser feitas manutenções, reparos, reformas grandes como na UPA [Unidade de Pronto-Atendimento] do Jardim do Sol, Centro-Oeste, no CAPS [Centro de Atenção Psicossocial] da zona Norte, em algumas escolas também, entre outros setores. Esse também é um grande trabalho que precisamos estar atentos, cobrando da administração para este ano de 2025″, adverte.
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Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.