Grupo formado por médicos, advogados, ativistas defende fim da obrigatoriedade das vacinas, principalmente, em crianças
Mesmo após cinco anos do início da pandemia do novo coronavírus, e mais de 700 mil mortos somente no Brasil, o negacionismo ainda persiste.
Por proposição do deputado estadual Ricardo Arruda (PL), aconteceu no último dia 13 de fevereiro, na ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná), audiência pública intitulada “Não à obrigatoriedade da vacina Covid-19”.
A intenção do encontro foi debater a proibição da aplicação das vacinas, principalmente em crianças, e o fim da obrigatoriedade do passaporte sanitário.
A audiência, que também foi realizada em outras regiões do Brasil, contou com a participação de médicos, ativistas, advogados e organizações, inclusive, internacionais, a exemplo da Independent Medical Alliance. Desde o surgimento da doença, em 2020, a entidade tem defendido uma série de tratamentos ineficazes.
O evento foi repudiado pelo CES-PR (Conselho Estadual de Saúde do Paraná) que chegou a publicar um manifesto criticando aqueles que “contrariando a ciência e determinações judiciais, por ignorância ou má fé, continuam a negar a necessidade de vacinação”, afirma o órgão (confira nota na íntegra abaixo).
O SindPRevs-PR (Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência Social e Ação Social do Estado do Paraná) também rechaçou as declarações sem evidências científicas do parlamentar que integra a base bolsonarista no estado.

Bancada de oposição também reage
Durante sessão desta quarta-feira (2), o líder da bancada de oposição na ALEP, deputado Arilson Chiorato (PT), também repudiou as falas de parlamentares que espalharam desinformação sobre a vacinação contra a Covid-19.
“Milhões de vidas foram salvas graças à vacina. A desinformação é perigosa, irresponsável e mata. Vacina não é de esquerda ou de direita. Vacina é direito à vida”, declarou.
O deputado Professor Lemos (PT) apontou os riscos incutidos no discurso antivacina. “Não podemos compactuar com esse discurso antivacina. Basta consultar a história. As vacinas salvam vidas. A ciência salva vidas. No Brasil, durante a pandemia de COVID-19, por conta dessa postura antivacina, promovida inclusive pelo presidente da República, perdemos mais de 750 mil vidas. Uma irresponsabilidade lamentável. Quem prega contra a vacina, prega contra a vida”, advertiu.
Covid ainda mata
A Covid-19, segue matando mais paranaenses do que a gripe, segundo dados da SESA (Secretaria Estadual de Saúde). Apenas em 2024, foram registrados 2.570 casos graves, que resultaram em 425 mortes no estado. Já de Influenza, foram 2.603 casos graves, com 282 óbitos. Outros vírus somados totalizaram 6.405 casos graves e 201 mortes.
O Paraná tem contabilizado 3.056.869 casos de Covid desde o início da pandemia, em março de 2020, sendo que 47.373 pessoas morreram em consequência da doença no estado.

Pais devem ser multados
Em março último, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça), com base no artigo 249 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) decidiu que os pais que se recusarem a vacinar seus filhos contra a Covid-19 podem ter que pagar multa.
A decisão também leva em conta que a vacinação contra a doença foi recomendada em todo o país desde 2022.
A partir de 2024, a vacina contra Covid-19 foi incluída no PNI (Programa Nacional de Imunizações). O Ministério da Saúde recomenda a vacinação prioritária de crianças de 6 meses a 5 anos incompletos e dos grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença, incluindo idosos, profissionais de Saúde e gestantes.
Um estudo assinado por pesquisadores da Fiocruz indicou que as vacinas têm alta eficácia contra hospitalização por Covid-19 no Brasil, reduzindo em até 90% o risco de morte.
Confira manifesto emitido pelo Conselho Estadual de Saúde do Paraná:

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.