Dentre as 521 candidatas, a maioria é branca, representando 74%
Para as eleições de 2022, o Paraná registrou recorde de candidaturas de mulheres face as últimas eleições nacionais. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das 1.560 candidaturas cadastradas no estado, 521 são de mulheres, atingindo 33%. Dentre elas, 388 declaram-se como brancas, ou seja, 74%. Já as mulheres negras (pretas e pardas) contabilizam 129 campanhas. Há apenas 7 candidaturas de indígenas no Paraná, sendo 2 de mulheres. Entre os 12 representantes amarelos, 2 são mulheres.
O índice vem crescendo: em 1998, mulheres totalizavam apenas 9% dos adversários no estado. O contingente de mulheres que tentam um cargo nos poderes Executivo e Legislativo paranaense equipara-se ao percentual de candidaturas de mulheres em cenário nacional. Dos 28.274 candidatos que disputam as eleições de 2022 no Brasil, 9.415 são mulheres, alcançando 33%.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,1% da população brasileira em 2021, era do sexo feminino. O dado representa 4,8 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil.
Embora, o número de candidatas mulheres tenha crescido, a quantidade ainda é inferior ao eleitorado. Segundo informações do TSE, mulheres constituem a maioria dos votantes no Paraná, contabilizando 53% dos eleitores nas eleições de 2022. A defasagem atinge, portanto, 20%. Além disso, enquanto o aumento foi de 60% entre 2010 a 2014 e de 13% de 2014 a 2018, neste ano, o crescimento ficou em 2% em comparação com 2018, quando mulheres corresponderam a 31% das candidaturas no estado.
Em 1º de agosto, a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) aprovou o projeto de resolução 5/2022, que altera os artigos do Regimento Interno da Casa e cria a Bancada Feminina no Legislativo paranaense. Atualmente, a ALEP tem 49 deputados e apenas 5 deputadas.
Confira a participação de mulheres em números a seguir:
A importância das legislações
Desde 2009, a Lei 12.034, assegura que cada partido deve apresentar percentual mínimo de 30% e máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Também estabelece que pelo menos 30% dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, bem como do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV sejam gastos em candidaturas de mulheres.
Para a cientista política, Camila Monteiro, a aprovação de políticas públicas voltadas a maior participação de mulheres na política, tem entre suas motivações, as lutas de movimentos feministas. “Uma das reinvindicações é que as mulheres ocupem os espaços públicos, a exemplo da política, descontruindo as ideias de que cabe às mulheres apenas o ambiente doméstico e de que elas não teriam contribuições para a definição da agenda pública”, afirma a pesquisadora.
Monteiro chama atenção também para a ausência de mulheres na direção dos partidos, lideranças das chapas e possibilidades de que elas sejam eleitas. “É mais frequente vermos mulheres ocupando os lugares de vices nas campanhas, o que representa uma tentativa de diálogo com este segmento da população por parte dos partidos. Mas ao mesmo tempo reforça o papel da mulher como submissa, coadjuvante ao homem que assume o protagonismo. Outra dificuldade é a visão muito difundida de que mulheres não estariam aptas para liderar”, observa.
A participação de mulheres é menor na disputa por cargos mais altos. Elas representam apenas 17% entre os aspirantes ao comando de governos estaduais ou distrital, 23,6% dos que se lançaram ao Senado e 34,6% dos que disputam uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Neste ano, o registro de candidaturas de mulheres à Presidência da República atingiu o maior patamar, chegando a 4 concorrentes: Simone Tebet (MDB), Vera Lúcia (PSTU), Soraya Thronicke (União Brasil) e Sofia Manzano (PCB). Dentre as presidenciáveis, apenas Tebet pontua nas intenções de voto até o momento, atingindo 6% da preferência do eleitorado, segundo pesquisa FSB Comunicação para o banco BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (5).
Partidos e estados
Entre as legendas, o Partido Liberal (PL) possui o maior número de candidaturas de mulheres, 501, entretanto, o número corresponde à metade das candidaturas de homens que totalizam 1.077. Em último lugar, encontra-se o Partido Comunista Brasileiro (PCB) com 30 candidatas face a 53 homens que concorrem ao pleito deste ano. O estado com maior proporção de candidatas é o Rio Grande do Norte, com 194. Já a unidade federativa com menos candidatas é o Rio de Janeiro, são 868 mulheres disputando às eleições de 2022 no estado.

Franciele Rodrigues
Jornalista e cientista social. Atualmente, é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tem desenvolvido pesquisas sobre gênero, religião e pensamento decolonial. É uma das criadoras do "O que elas pensam?", um podcast sobre política na perspectiva de mulheres.