Os trabalhos expostos são frutos de debates dentro de escolas estaduais e buscam promover o ensino da história e cultura afro-brasileira
No mês da Consciência Negra, a APP Sindicato Londrina (Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Paraná) por meio do Coletivo de Promoção da Igualdade Racial e Combate ao Racismo, realiza nos dias 22 e 23 de novembro a exposição “Nossa beleza é ancestral, nossos passos vêm de longe”.
A mostra reúne produções elaboradas por estudantes sob a orientação de professoras da rede estadual. Segundo Maria Evilma, representante do grupo, a iniciativa reflete o empenho em aplicar a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas.
“Durante o ano, realizamos debates, pesquisas e atividades que permitem reflexões sobre questões raciais na sociedade”, explica.
Segundo ela, as produções expostas carregam o olhar de crianças e adolescentes sobre essas questões. “São trabalhos singelos, resultado dessas reflexões e que trazem em si o olhar de crianças e adolescentes sobre tais contextos”, assinala.
A escolha da temática parte de desafios identificados nas escolas. “A temática da beleza emerge de situações cotidianas nas escolas nas quais conflitos entre estudantes demonstram tensões importantes que podem revelar o eurocentrismo, o racismo recreativo e o bullying”, afirma Maria Evilma.
Educação antirracista nas escolas
Dados da pesquisa Percepções Sobre o Racismo, realizada pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) revelam que o ambiente escolar é o principal local onde os brasileiros relatam serem vítimas de violência racial, com 38% dos casos ocorrendo em escolas, faculdades ou universidades.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana e Geledés Instituto da Mulher Negra, revela que mais de 70% das cidades brasileiras não cumprem a lei do ensino afro-brasileiro nas escolas. O estudo apontou que sete em cada dez secretarias municipais de educação não possuem ações que atendam a Lei 10.639 sancionada em 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A pesquisa expõe que apenas 29% das secretarias municipais de educação desenvolvem ações consistentes. Por outro lado, 53% promovem iniciativas pontuais, muitas vezes limitadas a projetos isolados ou a datas comemorativas, como o Dia da Consciência Negra. Já 18% não realizam nenhuma atividade relacionada ao tema, totalizando 71% das secretarias sem políticas estruturadas ou com esforços mínimos nessa área.
Os dados revelam uma situação de negligência institucional que perpetua o racismo nas escolas, reafirmando estruturas sociais desiguais, comprometendo o desenvolvimento de uma educação antirracista nas escolas.

Em Londrina, as escolas contam com uma Comissão da Diversidade para aplicar a Lei 10.639
Foto: PROESC
Programação
A abertura da exposição ocorre no dia 22 de novembro, às 19h, com um coquetel e apresentações culturais. “Na sexta-feira, 22/11, a abertura contará com pocket show de Camila Cardoso e de Alessandro Franco. É aberta a qualquer pessoa interessada”, compartilha Maria Evilma.
No dia seguinte, 23 de novembro, a exposição poderá ser visitada das 16h às 19h, também na sede da APP-Sindicato Londrina, localizada na Avenida JK, nº 1.834, centro.
A expectativa do coletivo é que a exposição inspire práticas pedagógicas antirracistas nas escolas e valorize o trabalho de educadores e estudantes.
“Nossa expectativa é prestigiar os trabalhos de nossos estudantes da rede estadual e possibilitar a educadores observarem caminhos possíveis para trabalhar na educação numa perspectiva antirracista”, finaliza Maria Evilma.
Serviço
Abertura: 22/11, às 19h, com coquetel e pocket show de Camila Cardoso e Alessandro Franco
Visitação: 23/11, das 16h às 19h, entrada gratuita
Local: Sede da APP Sindicato Londrina (Av. JK, nº 1.834, centro)
Matéria da estagiária Fernanda Soares sob supervisão.